É, São Pedro resolveu abrir a biqueira em cima de Alto Paraíso. Desde ontem chove o tempo inteiro. E numa cidade onde as principais atrações são ao ar livre, nossa vida complicou...
Sem saber como estava o tempo, hoje pela manhã acordamos cedinho pra aproveitar bem o dia. Como estamos numa pousada temática, que é a réplica de um castelo, nosso quarto não tem janelas. Nos arrumamos todos e quando abrimos a porta, humpf, o céu tava preto! ô frustração...
Tomamos café da manhã e voltamos pra cama, pra aproveitar pelo menos o friozinho debaixo das cobertas.
Mais pertinho do final da manhã resolvemos encarar a chuva (afinal a gente é nordestino mas não somos feitos de açucar, né?) e sair pra passear. Foi quando eu vi mais uma vez que Deus tá do nosso lado. A chuva afinou que foi uma beleza. E na garoazinha fomos conhecer a Fazenda São Bento. O lugar é lindo!
Tem animais circulando livremente, muito verde, e é lá que estão 3 lindas cachoeiras, uma delas, uma das mais famosas daqui, a Almécegas. Para chegar lá, é preciso percorrer uma trilha de 1km, passando pela mata, cruzando córregos. Pedro seguiu à frente, comandando a "equipe" e dando muitas ordens.
Meia hora de caminhada e chegamos à Almecegas I. Um verdadeiro espetáculo da natureza.
A volta foi mais complicada. Nem sempre na descida todo santo ajuda. As pedras são lisas e exigem mais cuidado. Foi então que exercitamos, na prática, alguns conceitos muito importantes:
- Pedro compreendeu que liderança não significa dar ordens, como vinha fazendo na primeira parte do trajeto, e sim manter a equipe forte e unida, com o mesmo objetivo.
- Bia, que não é acostumada a aventuras, entendeu o que significa superação, dando passos firmes, um após o outro, vencendo obstáculos (e aprendendo que após uma queda, precisamos sacodir a poeira e dar a volta por cima!)
- Maria Clara deu belos exemplos de solidariedade, ajudando a prima nos trechos mais difíceis.
- Eu e Xuxu lidamos com essas situações com serenidade e paciência.
Foi ótimo. Bia até foi "batizada".
Visitada a primeira cachoeira, hora de conhecer Almécegas II. Mas a chuva piorou. Como o percurso era menor, apenas 250 metros de trilha fácil, deixamos os meninos no carro e fomos só eu e Xuxu. Encontramos mais uma beleza da natureza.
De volta à sede da fazenda, mortos de fome, ainda tivemos que esperar quase 2 horas até o almoço ficar pronto. Enquanto isso, fomos dar mais uma volta, e conhecer a terceira cachoeira, São Bento.
Aqui deu muita vontade de tomar banho nessa enorme piscina formada ao pé da cachoeira, mas o clima frio nos acovardou.
O Almoço na fazenda foi bom demais. Comidinha feita no fogão à lenha. Feijão novinho, mil saladas, arroz soltinho. Pela primeira vez depois de vários dias, o Pedro não deu trabalho pra comer. Comida boa e fome muita foram a combinação perfeita.
Depois do almoço, quase tivemos uma indigestão: a conta! R$37 reais por pessoa. Tá, o preço é justo pelo lugar onde estávamos e pelas maravilhas que comemos, mas somos 5, e saiu pesado. Gastamos 195 reais! Segundo o Xuxu, o doce de leite com queijo da sobremesa valeram por tudo!
Exaustos, de bucho cheio e no friozinho, acabamos resolvendo voltar pra pousada. O dia, apesar de chuvoso, já tinha rendido momentos maravilhosos.
E estamos aqui, encolhidinhos, morrendo de frio, e planejando comer uma massinha quente daqui a pouco.
Tio William, vamos tomar um vinho lembrando do senhor! Beijos para tia Rita, Jonas, Cami, Cris, Milena, Jaime Neto e Iolanda, Lalá e Percília, Pai e Mãe, e todo mundo que embarcou na nossa viagem. Ainda vem muito mais por aí! E vamos ver se alguém aí consegue um patrocínio da Revista 4 Rodas ou da Mitsubishi pra gente, vai! Pelo menos pra bancar o almoço de hoje...
Aqui começa o registro de uma grande aventura familiar. Por terra, vamos desbravar caminhos, conhecer relevos, vegetações, sotaques diferentes. Vamos descobrir o nosso Brasil que não está nos livros. No trajeto nos encantaremos com as paisagens e nos depararemos com situações difíceis. Será um exercício coletivo de resistência, tolerância, solidariedade, amor ao próximo, enfim, tudo o que deve servir de base pra o que se espera de uma família. Tudo vai ficar registrado aqui. Viaje com a gente!
quinta-feira, 30 de dezembro de 2010
quarta-feira, 29 de dezembro de 2010
O paraíso é aqui!
Parece que estamos literalmente no céu. Neste momento, olho para a janela de vidro e me sinto dentro de uma nuvem. A névoa tomou conta de Alto Paraíso, e o friozinho tá uma delícia! Mas agora, deixa eu contar como foi o nosso dia:
Tínhamos duas opções para sair de Luis Eduardo Magalhães em direção á Goiás. Uma era pela BR-020, indo até perto de Brasília. A outra, pela BR-242, passava pelo Tocantins e era aparentemente mais curta. O que escolhemos? O caminho mais curto, claro. Fizemos um roteiro no nosso mapa do Guia 4 rodas, checamos no Google Maps, e estava aparentemente tudo ok. O GPS também indicava que deveríamos pegar essa estrada. Fomos. Pra nossa surpresa, a tal BR-242 é de terra! Isso mesmo! Acaba o asfalto e começa aquela trilha sem fim de areia vermelha. Simples assim. A gente nem acreditou. Fiquei tão passada que nem tive a iniciativa de tirar uma foto pra mostrar aqui. Era o fim! Acabamos pegando uma terceira rota, que também ia pelo Tocantins, só que dando uma volta maior. Como Deus escreve certo por linhas tortas, tivemos surpresas incríveis!
Por exemplo, descobrimos um Nordeste verde e produtivo, com plantações de soja, de milho, de algodão a perder de vista, literalmente.
Logo que atravessamos a divisa com o Tocantins, o cenário mudou completamente. A vasta planície deu lugar a vales e montanhas impressionantes. E eu que nunca tinha imaginado o que tinha no Tocantins...
Chegamos a pensar que estávamos perdidos, porque as placas de sinalização são raríssimas nesse trecho. Foi a primeira vez que o nosso GPS realmente nos salvou. (só um detalhe: já não agüentávamos mais a matraca da “Ana Maria” – voz feminina do aparelho- dando pitaco o tempo inteiro nas nossas direções. Cheguei inclusive a mudar para a voz masculina, o “Fábio”, que aparentemente é mais contido nas indicações. kkkkk) Pois bem, diante da incerteza se estávamos indo pro lado certo, eis que o GPS indicou tudo certinho.
Seguimos o nosso caminho em direção à Taguatinga, no Tocantins. E mais uma vez, as linhas tortas de Deus... Paramos num posto de gasolina pra abastecer. O carro estava com o tanque acima da metade, mas eu pedi ao Xuxu para completar, porque não sabíamos o que viria pela frente. Aí eu, que nem sou de muita conversa, comentei com o frentista que iríamos conhecer Bonito, no Mato Grosso do Sul. E olha o que ele disse: "Bonito? Bonito é aqui! Você já conheceu o rio dos Azuis?" Fiquei curiosa pela indicação. Pegamos os detalhes e fomos bater lá, 23km depois. Vejam o que encontramos:
Lindo, né? Essa aí é a nascente do Azuis, que curiosamente é o menor rio do Brasil. Tem 147 metros de extensão e fica no município de Aurora do Tocantins. Gente, a água é cristalina! Vou confessar que assim que a gente chegou, achou o lugar meio com cara de "farofal", misturado, como a gente diz aí. Mas quando vimos a cor da água, não resistimos. E quer saber? Foi maravilhoso! Viramos farofa também e aproveitamos. Lição do dia: felicidade não é artigo de luxo e existe pra todos. Se tivéssemos sido preconceituosos, teríamos perdido uma excelente oportunidade de conhecer um lugar maravilhoso, e ver como a natureza é magnífica.
Saímos banhados e felizes...Na estrada, nossa próxima divisa seria com Goiás. O percurso é acompanhado pela beleza da Serra Geral, um enorme chapadão que não cansamos de olhar. Passamos por cidades pequeninas como Campos Belos e Monte Alegre, onde vimos o jeito curioso que ele usam para secar a carne.
Estávamos chegando à Chapada dos Veadeiros. Fomos recebidos com chuva forte. Talvez para chegar com a alma lavada em Alto Paraíso, reduto esotérico do Brasil.
Aliás, é aqui em Alto Paraíso que passa o Paralelo 14º, sabiam? Não sabem o que é isso? Então deixa eu explicar: o parelelo 14 é a linha imaginária (assim como a linha do Equador) que cruza a cidade de Alto Paraíso. É a mesma que passa na também mística Machu Pichu, no Peru(Maranfon, lembramos de você e seus chacras!). Isso renderia altas energias por aqui. Por via das dúvidas, eu e o Xuxu achamos melhor garantir...
s
No som do carro tocava "Leve, como leve pluma muito leve, leve, pousa", do Secos de Molhados. Mais apropriado não tinha, né?
Foi nessa felicidade que chegamos aqui, e vamos ficar hospedados nesse castelo, olha aí, pra viver novos dias de Reis, princesas e príncipe. Porque tenho certeza que a gente merece!
Querem saber o resto dessa história? Continuem viajando com a gente! Amanhã veremos muitos outros espetáculos da natureza. Um beijo enorme em cada um de vocês.
Tínhamos duas opções para sair de Luis Eduardo Magalhães em direção á Goiás. Uma era pela BR-020, indo até perto de Brasília. A outra, pela BR-242, passava pelo Tocantins e era aparentemente mais curta. O que escolhemos? O caminho mais curto, claro. Fizemos um roteiro no nosso mapa do Guia 4 rodas, checamos no Google Maps, e estava aparentemente tudo ok. O GPS também indicava que deveríamos pegar essa estrada. Fomos. Pra nossa surpresa, a tal BR-242 é de terra! Isso mesmo! Acaba o asfalto e começa aquela trilha sem fim de areia vermelha. Simples assim. A gente nem acreditou. Fiquei tão passada que nem tive a iniciativa de tirar uma foto pra mostrar aqui. Era o fim! Acabamos pegando uma terceira rota, que também ia pelo Tocantins, só que dando uma volta maior. Como Deus escreve certo por linhas tortas, tivemos surpresas incríveis!
Por exemplo, descobrimos um Nordeste verde e produtivo, com plantações de soja, de milho, de algodão a perder de vista, literalmente.
Logo que atravessamos a divisa com o Tocantins, o cenário mudou completamente. A vasta planície deu lugar a vales e montanhas impressionantes. E eu que nunca tinha imaginado o que tinha no Tocantins...
Chegamos a pensar que estávamos perdidos, porque as placas de sinalização são raríssimas nesse trecho. Foi a primeira vez que o nosso GPS realmente nos salvou. (só um detalhe: já não agüentávamos mais a matraca da “Ana Maria” – voz feminina do aparelho- dando pitaco o tempo inteiro nas nossas direções. Cheguei inclusive a mudar para a voz masculina, o “Fábio”, que aparentemente é mais contido nas indicações. kkkkk) Pois bem, diante da incerteza se estávamos indo pro lado certo, eis que o GPS indicou tudo certinho.
Seguimos o nosso caminho em direção à Taguatinga, no Tocantins. E mais uma vez, as linhas tortas de Deus... Paramos num posto de gasolina pra abastecer. O carro estava com o tanque acima da metade, mas eu pedi ao Xuxu para completar, porque não sabíamos o que viria pela frente. Aí eu, que nem sou de muita conversa, comentei com o frentista que iríamos conhecer Bonito, no Mato Grosso do Sul. E olha o que ele disse: "Bonito? Bonito é aqui! Você já conheceu o rio dos Azuis?" Fiquei curiosa pela indicação. Pegamos os detalhes e fomos bater lá, 23km depois. Vejam o que encontramos:
Lindo, né? Essa aí é a nascente do Azuis, que curiosamente é o menor rio do Brasil. Tem 147 metros de extensão e fica no município de Aurora do Tocantins. Gente, a água é cristalina! Vou confessar que assim que a gente chegou, achou o lugar meio com cara de "farofal", misturado, como a gente diz aí. Mas quando vimos a cor da água, não resistimos. E quer saber? Foi maravilhoso! Viramos farofa também e aproveitamos. Lição do dia: felicidade não é artigo de luxo e existe pra todos. Se tivéssemos sido preconceituosos, teríamos perdido uma excelente oportunidade de conhecer um lugar maravilhoso, e ver como a natureza é magnífica.
Saímos banhados e felizes...Na estrada, nossa próxima divisa seria com Goiás. O percurso é acompanhado pela beleza da Serra Geral, um enorme chapadão que não cansamos de olhar. Passamos por cidades pequeninas como Campos Belos e Monte Alegre, onde vimos o jeito curioso que ele usam para secar a carne.
Estávamos chegando à Chapada dos Veadeiros. Fomos recebidos com chuva forte. Talvez para chegar com a alma lavada em Alto Paraíso, reduto esotérico do Brasil.
Aliás, é aqui em Alto Paraíso que passa o Paralelo 14º, sabiam? Não sabem o que é isso? Então deixa eu explicar: o parelelo 14 é a linha imaginária (assim como a linha do Equador) que cruza a cidade de Alto Paraíso. É a mesma que passa na também mística Machu Pichu, no Peru(Maranfon, lembramos de você e seus chacras!). Isso renderia altas energias por aqui. Por via das dúvidas, eu e o Xuxu achamos melhor garantir...
s
No som do carro tocava "Leve, como leve pluma muito leve, leve, pousa", do Secos de Molhados. Mais apropriado não tinha, né?
Foi nessa felicidade que chegamos aqui, e vamos ficar hospedados nesse castelo, olha aí, pra viver novos dias de Reis, princesas e príncipe. Porque tenho certeza que a gente merece!
Querem saber o resto dessa história? Continuem viajando com a gente! Amanhã veremos muitos outros espetáculos da natureza. Um beijo enorme em cada um de vocês.
Depois de uma noite de reis, princesas e príncipe...
Foi exatamente assim que nos sentimos nessa parada em Luis Eduardo Magalhães. O hotel é bem bacana. Nem parece coisa de cidade do interior. As meninas ganharam uma suíte só pra elas, pediram jantar no quarto, feito princesas. Passearam pela piscina e pela academia. Estavam se achando o máximo. O Pedro também adorou. E eu e o Xuxu, pela primeira vez desde a saída de Fortaleza, dormimos realmente bem, como reis. Nos permitimos até acordar um pouco mais tarde, às 6 da manhã.
Acabamos de tomar café. Huummm...
Agora são 7:15 e vamos pegar a estrada para Alto Paraíso de Goiás. São mais ou menos 5 horas de viagem, passando pelos Tocantins.
De lá daremos novas notícias.
Acabamos de tomar café. Huummm...
Agora são 7:15 e vamos pegar a estrada para Alto Paraíso de Goiás. São mais ou menos 5 horas de viagem, passando pelos Tocantins.
De lá daremos novas notícias.
terça-feira, 28 de dezembro de 2010
Cruzamos nossa segunda divisa!
Enfim deixamos Cristino Castro. Confesso que não teremos boas lembranças daqui. O hotel foi ruim, o jantar foi ruim, as piscinas térmicas eram a maior furada (tinham cheiro de xixi). Valeu a experiência, mas acho que por aqui a gente não volta mais. (Uma dica pra quem for fazer esse caminho é andar 31km a mais e ficar em Bom Jesus. A cidade parece ter uma estrutura um pouquinho melhor).
Pegamos a estrada às seis da manhã. Nosso terceiro dia de viagem, e todo mundo meio bodado pela noite mal dormida. Talvez isso tenha refletido no mal comportamento do pessoal da “classe econômica” (a turma do banco de trás). Pedro, quando não estava dormindo, se ocupava em encher o saco da Maria Clara, que por sua vez, se trocou com ele como se também tivesse 6 anos. A arenga duraria os mais de 500 quilômetros que tínhamos pela frente...
Por volta das 10 da manhã cruzamos a nossa segunda divisa. Deixamos pra trás o Piauí, e entramos na Bahia, pela cidade de Formosa do Rio Preto.
Aos poucos fomos vendo as mudanças no relevo e na vegetação. A cor do solo, do verde, iam ficando diferentes. Mais adiante, as enormes rochas recobertas de vegetação já tinham dado lugar a imensos pastos verdes.
Almoçamos, imaginem só, no Shopping de Barreiras. É... cidade pequena mas evoluída! (na verdade, o shopping só tinha umas 3 lojas funcionando, e na praça de alimentação, apenas um restaurante e uma lanchonete. Mas shopping é shopping, né?)
Seguimos viagem em direção à próxima cidade, Luis Eduardo Magalhães, onde tínhamos planejado fazer o pernoite. Eram menos de 100 quilômetros de distância, e ainda era cedo. Resolvemos então fazer um pequeno desvio no percurso para conhecer a região. Pegamos uma estradinha de terra, uma pontezinha de madeira...
...e nos deparamos com esse rio de águas límpidas e transparentes. Difícil resistir...
Sim, eu e a Bia entramos de roupa e tudo. Quando é que eu ia ter essa oportunidade de novo? Melhor garantir! Agora, dá pra imaginar que esse riozinho inofensivo se transformaria nisso aqui?
Acho que é a cachoeira mais linda que já vi na minha vida. Chama-se “Cachoeira do Acaba Vidas”. Não sei o motivo de ter recebido um título tão tenebroso, mas na verdade, pra mim, ela foi quase um “Começa Vida”, porque me senti completamente renovada e ainda mais crente em Deus. Aliás, é impossível ver esse cenário e não acreditar que ele existe.
Valeu, valeu, valeu! Estamos apenas no terceiro dia de viagem, e já tenho muitas coisas boas pra contar. O bom de viagens como essa que estamos fazendo é poder parar, conhecer o que não está nos roteiros, se permitir ter tempo para conhecer tanta coisa linda que esse nosso Brasil tem e a gente não sabe.
Chegamos em Luis Eduardo Magalhães às 4 da tarde. A cidade tem uma boa infra porque abriga mais de 50 grandes empresas agrícolas. Estamos hospedados no melhor hotel da cidade, com direito a elevador panorâmico e tudo! Vamos tirar o atraso da noite anterior, dormir, se Deus quiser, maravilhosamente bem, para amanhã chegar ao nosso primeiro destino: Alto Paraíso de Goiás. É lá que ficaremos até o dia 2 de janeiro, antes de seguirmos para Bonito.
Queremos deixar um beijo muito grande pra todas as pessoas que estão nos mandando comentários no blog. Mãe, não recebi o seu! Cris, é claro que eu lembrei de vc em Picos, mas a “bola da vez”, desculpe, era a Marcinha (kkkk)! Jaime Neto, Ian, Adri Sabóya, Marquinho, Maranfon, Quequel, Milena, Celininha, Carol, enfim, todo mundo que a gente adora e com quem a gente faz questão de compartilhar os momentos felizes. Nossos olhos agora são de vocês também!
Pegamos a estrada às seis da manhã. Nosso terceiro dia de viagem, e todo mundo meio bodado pela noite mal dormida. Talvez isso tenha refletido no mal comportamento do pessoal da “classe econômica” (a turma do banco de trás). Pedro, quando não estava dormindo, se ocupava em encher o saco da Maria Clara, que por sua vez, se trocou com ele como se também tivesse 6 anos. A arenga duraria os mais de 500 quilômetros que tínhamos pela frente...
Por volta das 10 da manhã cruzamos a nossa segunda divisa. Deixamos pra trás o Piauí, e entramos na Bahia, pela cidade de Formosa do Rio Preto.
Aos poucos fomos vendo as mudanças no relevo e na vegetação. A cor do solo, do verde, iam ficando diferentes. Mais adiante, as enormes rochas recobertas de vegetação já tinham dado lugar a imensos pastos verdes.
Almoçamos, imaginem só, no Shopping de Barreiras. É... cidade pequena mas evoluída! (na verdade, o shopping só tinha umas 3 lojas funcionando, e na praça de alimentação, apenas um restaurante e uma lanchonete. Mas shopping é shopping, né?)
Seguimos viagem em direção à próxima cidade, Luis Eduardo Magalhães, onde tínhamos planejado fazer o pernoite. Eram menos de 100 quilômetros de distância, e ainda era cedo. Resolvemos então fazer um pequeno desvio no percurso para conhecer a região. Pegamos uma estradinha de terra, uma pontezinha de madeira...
...e nos deparamos com esse rio de águas límpidas e transparentes. Difícil resistir...
Sim, eu e a Bia entramos de roupa e tudo. Quando é que eu ia ter essa oportunidade de novo? Melhor garantir! Agora, dá pra imaginar que esse riozinho inofensivo se transformaria nisso aqui?
Acho que é a cachoeira mais linda que já vi na minha vida. Chama-se “Cachoeira do Acaba Vidas”. Não sei o motivo de ter recebido um título tão tenebroso, mas na verdade, pra mim, ela foi quase um “Começa Vida”, porque me senti completamente renovada e ainda mais crente em Deus. Aliás, é impossível ver esse cenário e não acreditar que ele existe.
Valeu, valeu, valeu! Estamos apenas no terceiro dia de viagem, e já tenho muitas coisas boas pra contar. O bom de viagens como essa que estamos fazendo é poder parar, conhecer o que não está nos roteiros, se permitir ter tempo para conhecer tanta coisa linda que esse nosso Brasil tem e a gente não sabe.
Chegamos em Luis Eduardo Magalhães às 4 da tarde. A cidade tem uma boa infra porque abriga mais de 50 grandes empresas agrícolas. Estamos hospedados no melhor hotel da cidade, com direito a elevador panorâmico e tudo! Vamos tirar o atraso da noite anterior, dormir, se Deus quiser, maravilhosamente bem, para amanhã chegar ao nosso primeiro destino: Alto Paraíso de Goiás. É lá que ficaremos até o dia 2 de janeiro, antes de seguirmos para Bonito.
Queremos deixar um beijo muito grande pra todas as pessoas que estão nos mandando comentários no blog. Mãe, não recebi o seu! Cris, é claro que eu lembrei de vc em Picos, mas a “bola da vez”, desculpe, era a Marcinha (kkkk)! Jaime Neto, Ian, Adri Sabóya, Marquinho, Maranfon, Quequel, Milena, Celininha, Carol, enfim, todo mundo que a gente adora e com quem a gente faz questão de compartilhar os momentos felizes. Nossos olhos agora são de vocês também!
Conhecem Cristino Castro?
Esse é o nome da cidade onde encostamos pra descansar nesse segundo dia de viagem. Fica no Piauí, a uns 600Km de Teresina. Cidade pequenininha, no Vale do Gurguéia, que tem como principais atrativos as fontes de água morna, espalhadas por todo lado.
Nos dois maiores hotéis da cidade, as piscinas térmicas são a sensação, mas fora isso, a infra-estrutura é bem precária. Este post, por exemplo, está sendo publicado com 1 dia de atraso porque não tivemos como acessar a internet. Nem o sinal da Oi pegava direito (novidade, hein?). O pernoite por aqui foi por pura falta de opção.
O nosso dia começou cedinho, às 5 da manhã.
Nossa meta era conhecer a cidade de São Raimundo Nonato, famosa por guardar vários sítios arqueológicos. A dica para visitar esse lugar foi do Fábio, pai da Maria Clara, que já esteve lá e disse que era muito interessante. Por coincidência, São Raimundo estava bem na nossa rota em direção à Alto Paraíso de Goiás, aonde vamos passar o ano novo.
No caminho, uma grata surpresa. Descobrimos um pedacinho do Brasil-colônia, que resiste bem no interior do Piauí. A cidade de Oeiras é linda! Guarda um casario antigo, do século 18. O Xuxu já pensou logo numa locação para um filme...
A matriz de Nossa Senhora das Vitórias, a padroeira daqui, foi construída em 1733 e é uma verdadeira relíquia. Pra quem conhece, dá perfeitamente pra comparar com algumas cidades históricas de Minas.
Entramos, fizemos nossas orações e eu, particularmente, agradeci a Deus pela oportunidade de estar ali. Pedro também fez suas preces. Tenho certeza que a Mamãe do Céu não vai resistir e vai atender a esse pedido....
Devidamente abençoados, seguimos nossa viagem. Mal sabíamos que pela frente encontraríamos uma estrada nessas condições...
Foram praticamente 80 quilômetros de buraqueira, enfrentados com muita paciência. O percurso planejado para ser feito em 4 horas e meia, levou mais de 6! (trilha sonora para este momento: Tati Quebra-Barraco). Na cidade de Simplício Mendes, descobri uma super estátua do Sagrado Coração de Jesus. E claro que fiz um registro fotográfico pra minha mãe. Essa é pra você, dona Marília!
Dali em diante, tudo valeu à pena. À nossa espera estava o Parque Nacional da Serra da Capivara, um encanto para os sentidos. (trilha sonora para este momento: Pro dia Nascer Feliz, do Barão Vermelho).
Era quase uma e meia da tarde quando finalmente chegamos a São Raimundo Nonato. O atraso na estrada não nos permitiu conhecer as trilhas indicadas no Guia 4 Rodas, cotadas como um passeio imperdível. Nos contentamos em conhecer o Museu do Homem Americano que, por sinal, nos deixou muito bem impressionados. Ali estão guardados pedaços de ossos, de pedras, projeções que recontam a história dos primeiros homens que viveram nas Américas.
Após essa imersão na pré-história, era hora de voltar pra estrada. Até aquela hora só havíamos percorrido 350km, muito pouco diante do longo caminho que ainda temos pela frente. Estudamos o mapa, reavaliamos percursos, nos informamos sobre hospedagem e decidimos seguir para Cristino Castro, 311km adiante. Para não perdermos tempo, almoçamos sanduíches e voltamos pra nossa vida estradeira.
Enfim, chegamos no ponto final do dia! Era mesmo hora de parar. O sol já tinha se posto e nos nossos compromissos de viagem nos prometemos não pegar estrada à noite. Além do mais, tava difícil encarar o tédio nesse trecho do percurso.
Considerações a fazer:
O Xuxu está de parabéns pela serenidade com que tem encarado a estrada. Isso nos dá a tranqüilidade de uma viagem sem sustos.
As rodovias estaduais do Piauí são péssimas! É inacreditável o descaso. Serviu pra eu dar muito valor às estradas do Ceará que, justiça seja feita, estão ótimas.
Descobrimos um Piauí bem diferente do que costumamos imaginar. Normalmente o estado é menosprezado pela pobreza, pela seca, pelo calor. Mas o que pude mostrar para os meus filhos foi o lado exuberante do relevo da Serra da Capivara, a riqueza arqueológica dessa região, as curiosas fontes térmicas que trazem água morninha para a superfície. Além da cordialidade de pessoas sempre dispostas a ajudar.
As “aborrecentes” ainda não se acostumaram com as condições dos banheiros de beira de estrada (de fato, terríveis, mas em alguns momentos, inevitáveis). Acho eu que elas pensavam que iam encontrar o banheiro do Via Sul em todas as paradas...
Nos dois maiores hotéis da cidade, as piscinas térmicas são a sensação, mas fora isso, a infra-estrutura é bem precária. Este post, por exemplo, está sendo publicado com 1 dia de atraso porque não tivemos como acessar a internet. Nem o sinal da Oi pegava direito (novidade, hein?). O pernoite por aqui foi por pura falta de opção.
O nosso dia começou cedinho, às 5 da manhã.
Nossa meta era conhecer a cidade de São Raimundo Nonato, famosa por guardar vários sítios arqueológicos. A dica para visitar esse lugar foi do Fábio, pai da Maria Clara, que já esteve lá e disse que era muito interessante. Por coincidência, São Raimundo estava bem na nossa rota em direção à Alto Paraíso de Goiás, aonde vamos passar o ano novo.
No caminho, uma grata surpresa. Descobrimos um pedacinho do Brasil-colônia, que resiste bem no interior do Piauí. A cidade de Oeiras é linda! Guarda um casario antigo, do século 18. O Xuxu já pensou logo numa locação para um filme...
A matriz de Nossa Senhora das Vitórias, a padroeira daqui, foi construída em 1733 e é uma verdadeira relíquia. Pra quem conhece, dá perfeitamente pra comparar com algumas cidades históricas de Minas.
Entramos, fizemos nossas orações e eu, particularmente, agradeci a Deus pela oportunidade de estar ali. Pedro também fez suas preces. Tenho certeza que a Mamãe do Céu não vai resistir e vai atender a esse pedido....
Devidamente abençoados, seguimos nossa viagem. Mal sabíamos que pela frente encontraríamos uma estrada nessas condições...
Foram praticamente 80 quilômetros de buraqueira, enfrentados com muita paciência. O percurso planejado para ser feito em 4 horas e meia, levou mais de 6! (trilha sonora para este momento: Tati Quebra-Barraco). Na cidade de Simplício Mendes, descobri uma super estátua do Sagrado Coração de Jesus. E claro que fiz um registro fotográfico pra minha mãe. Essa é pra você, dona Marília!
Dali em diante, tudo valeu à pena. À nossa espera estava o Parque Nacional da Serra da Capivara, um encanto para os sentidos. (trilha sonora para este momento: Pro dia Nascer Feliz, do Barão Vermelho).
Era quase uma e meia da tarde quando finalmente chegamos a São Raimundo Nonato. O atraso na estrada não nos permitiu conhecer as trilhas indicadas no Guia 4 Rodas, cotadas como um passeio imperdível. Nos contentamos em conhecer o Museu do Homem Americano que, por sinal, nos deixou muito bem impressionados. Ali estão guardados pedaços de ossos, de pedras, projeções que recontam a história dos primeiros homens que viveram nas Américas.
Após essa imersão na pré-história, era hora de voltar pra estrada. Até aquela hora só havíamos percorrido 350km, muito pouco diante do longo caminho que ainda temos pela frente. Estudamos o mapa, reavaliamos percursos, nos informamos sobre hospedagem e decidimos seguir para Cristino Castro, 311km adiante. Para não perdermos tempo, almoçamos sanduíches e voltamos pra nossa vida estradeira.
Enfim, chegamos no ponto final do dia! Era mesmo hora de parar. O sol já tinha se posto e nos nossos compromissos de viagem nos prometemos não pegar estrada à noite. Além do mais, tava difícil encarar o tédio nesse trecho do percurso.
Considerações a fazer:
O Xuxu está de parabéns pela serenidade com que tem encarado a estrada. Isso nos dá a tranqüilidade de uma viagem sem sustos.
As rodovias estaduais do Piauí são péssimas! É inacreditável o descaso. Serviu pra eu dar muito valor às estradas do Ceará que, justiça seja feita, estão ótimas.
Descobrimos um Piauí bem diferente do que costumamos imaginar. Normalmente o estado é menosprezado pela pobreza, pela seca, pelo calor. Mas o que pude mostrar para os meus filhos foi o lado exuberante do relevo da Serra da Capivara, a riqueza arqueológica dessa região, as curiosas fontes térmicas que trazem água morninha para a superfície. Além da cordialidade de pessoas sempre dispostas a ajudar.
As “aborrecentes” ainda não se acostumaram com as condições dos banheiros de beira de estrada (de fato, terríveis, mas em alguns momentos, inevitáveis). Acho eu que elas pensavam que iam encontrar o banheiro do Via Sul em todas as paradas...
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