quinta-feira, 11 de julho de 2013

Ultrapassamos os 2 mil km rodados!

E enfim, estamos nas Minas Gerais, mais precisamente na cidade de Montes Claros. Agora à noite, já no hotel, é que nos demos conta de que escapamos fedendo do caos que se formou nas estradas durante o dia de hoje por conta dos protestos, como mostra essa notícia que vi no G1:

http://g1.globo.com/bahia/noticia/2013/07/no-interior-da-ba-manifestantes-fecham-estradas-e-pedem-melhorias.html

Cruzamos a divisa BA/MG no final da manhã. Uma festa! Com direito a descer do carro, bater foto na placa e se passar de besta pra quem via aquela cena. Ô coisa boa é se permitir essas macacadas, né??


 Serelepes seguimos nosso caminho, até vivenciarmos uma cena que até então eu só tinha visto no cinema: fomos parados por uma viatura da polícia. Daquele jeito mesmo que a gente vê nos filmes! A viatura tava parada num cantinho e, de repente, começou a nos seguir. Até então, a gente nem tchuns... Tudo na estrada poderia ter problemas, menos nós. Aí, veio a sirene. Xuxu abriu caminho achando que os policiais queriam ultrapassar. Eles tocaram a sirene de novo e, encostando mais o carro, nos fizeram entender que éramos nós que deveríamos parar. O policial se aproximou da janela, pediu documentos e habilitação. Acho que fizemos cara de interrogação pela forma da abordagem, mas antes mesmo de perguntarmos qualquer coisa, ele adiantou: "o senhor fez duas ultrapassagens em faixa contínua. Aguarde que eu vou lhe notificar". (Para ler essa última frase, imagine a entonação do José Wilker dizendo pra dona Sinhazinha "se lave que vou lhe usar", em sotaque mineiro). E foi saindo pra assinar nosso auto de infração. Xuxu, de beiço branco típico de quando está muito emputecido, ficou calado, mandando em pensamento aquele homem sabe Deus pra onde. Enquanto isso Jaime Neto foi até o guarda, argumentou sobre a quantidade de carros que estavam fazendo a mesma ultrapassagem ali, na frente deles, e acabou o convencendo a nos deixar seguir. Ufa! Escapamos da multa. (Eu quis muito bater uma foto da cena, mas o PRF podia se invocar e acabar multando a gente mesmo. Espero que valha o relato).

(Brincadeiras à parte, aqui faço um parêntese. Esta viagem, mais que a outra que fizemos para o Centro-Oeste, tem nos mostrado o quanto o Brasil se move mesmo sobre rodas. A quantidade de caminhões nas rodovias impressiona, comprovando a falta de outros modais que facilitem o transporte de cargas pelo país. Junte-se a isso a jornada sobrecarregada desses caminhoneiros que, flagrantemente, cometem as mais graves irresponsabilidades ao volante. Hoje mesmo, escapamos de uma delas).

Filas intermináveis de caminhões na BR 251

Ao todo percorremos hoje 625 km. Era o previsto. O que não sabíamos era que a BR 251, que liga Vitória da Conquista a Montes Claros, era tão sinuosa. E a combinação entre estrada sinuosa e muitos, muitos caminhões, é um tanto tensa... Mesmo assim deu pra apreciar bastante os enormes campos de pinheiros, lindos, que ladearam boa parte do percurso.

Chegamos à Montes Claros no comecinho da noite, com direito a enfrentar a "hora do rush" em pleno centro da cidade enquanto procurávamos hotel.

Centro de  Montes Claros. Hora do rush.

Acabamos ancorando na Pousada do Sesc, que, como toda pousada do Sesc, é simples, porém limpa e funcional. O quarto, com 3 beliches de alvenaria, virou um parque de diversões pro Pedro.

E a pilha do menino não acaba....
 Esses 3 dias de estradas foram bastante cansativos. Não pelo tempo viajado, mas pela tensão que enfrentamos com o tráfego intenso. Amanhã deveremos ter um dia mais ameno. Vamos para Diamantina, a 237km daqui, e pousaremos em alguma cidade lá perto, talvez Serro, a terra do queijo. O bom dessa viagem tem sido esse lance de saber o rumo, mas não definir paradas. Vamos indo... Sigam com a gente!

BASTIDORES:

- Entre as perguntas lançadas pelo Pedro hoje estão: "Mãe, o que significa esnobe?" e "Mãe, como foi mesmo a morte de Romeu e Julieta, hein?". Por favor, não me perguntem em que contexto vieram essas perguntas. Não havia contexto. Ele matutou, matutou, e lançou. E eu que me vire em explicar.

- Ao passarmos em Francisco Sá (não a avenida daí, mas a cidade mineira vizinha a Montes Claros) avistamos uma estátua do Cristo Redentor sobre um morro. Pedro, empolgadíssimo, gritou: "Mãe, a gente tá é no Rio de Janeiro!".

- 14 graus pegamos nas proximidades de Vitória da Conquista. Vento geladíssimo. Vovô Chico e Vovó Marília, prevenidos que são, estavam bem agasalhadinhos!

14graus do lado de fora do carro

- Hoje completam 2 meses da partida da minha irmã, Luiza. Apesar das brincadeiras com que escrevi o este post, o dia foi difícil para meus pais, que enfrentaram a estrada com o coração apertadinho. Mas é bom estarmos juntos nesse momento. Tenho certeza de que vamos passar por tudo com muita firmeza e fé em Deus, e em breve estaremos todos fortalecidos.

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Cruzando a Bahia



Ponte sobre o Rio São Francisco (Petrolina/Juazeiro)

Foi o rio São Francisco quem nos recepcionou na entrada da Bahia. Ele, que separa Petrolina de Juazeiro (que não é do Norte). Saímos decididos de que rodaríamos cerca de 800 km e dormiríamos em Vitória da Conquista, o que acabou não acontecendo, por motivos que vou explicar depois.

Logo na saída, tivemos problemas com nosso bagageiro superior. Meu marido "super-homem" apertou com tanta força os sticks que prendiam as malas ao rack do carro que acabou afrouxando os parafusos e, por pouco, a sacola vermelha nova da mamãe, com todas as roupas dela, não saiu rolando BR afora.


Com isso, tivemos que reorganizar as bagagens, dividindo as sacolas entre os dois carros. Pedro acabou perdendo um pouco do espaço que tinha no fundo do carro. Reclamou, reclamou, e acabou dormindo sobre uma mala.

As primeiras horas de estrada foram de tempo nublado, e até uma chuva fina. Próximo a Senhor do Bonfim, a placa anunciando o melhor acarajé da Bahia seduziu o Jaime Neto, que quis conferir a informação (desmentida logo após a primeira mordida, né, Neto?).


Se o acarajé não estava bom, pelo menos a parada valeu à pena pela curiosidade. Descobrimos que aquele local havia sido um antigo quilombo, oportunidade de explicar pro Pedro o significado dessa palavra.


Se antes eu havia elogiado a situação da BR, o mesmo não vale para o trecho próximo à Feira de Santana. Asfalto em condições ruins, agravadas pelo fluxo intenso de ônibus e caminhões. Só mais à frente a rodovia volta a melhorar. É um trecho pedagiado (R$3,10, cobrados em dois pontos), controlado pela Via Bahia, e que está sendo duplicado. Apesar do bom estado da pista, a quantidade de caminhões inibe qualquer tentativa de enfiar um pouco mais o pé no acelerador. Até porque, tem muito caminhoneiro cometendo barbaridade no volante... Eu, hein!

Nova maneira de dizer "Mantenha Distância"
Justamente por causa deles não conseguimos atingir nossa meta de chegar à Vitória da Conquista, mesmo abrindo mão de uma parada maior para o almoço e nos sujeitando a um pastel infame na lanchonete "Ponto Raro", em Tanquinhos. Em Milagres fizemos uma nova parada, e diante dos 286km que ainda nos separavam do nosso destino, acabamos decidindo pernoitar em Jequié mesmo, a 130km dali. Mesmo assim,  novamente pegamos um trecho de estrada à noite, o que não nos deixa à vontade. Estamos hospedados na pousada P'iu Bella, à margem da BR, bem arrumadinha (http://pousadapiubella.com.br/). Conseguimos quartos quádruplos a preço justo, com o conforto que precisamos: ar, frigobar, chuveiro quente e lençóis limpos.

Agora há pouco, jantamos no restaurante da pousada mesmo, comemorando os 57 anos de namoro do papai e da mamãe.


Aproveitamos também pra fazer os planos pra amanhã. Se Deus quiser vamos cruzar a divisa com Minas Gerais e chegar a Montes Claros, ou alguma cidade próxima que nos deixe mais perto de Diamantina. É lá que vamos fazer nossa primeira parada "valendo" dessa viagem que está só começando...





Ainda sobre Petrolina...

Depois da última postagem, já de saída de Petrolina, aconteceram algumas coisinhas que eu achei que valiam à pena serem registradas aqui.

A turma do Velho Chico Plaza Hotel. Ótima recepção!
Primeiro, a gentileza do gerente do hotel onde estávamos hospedados, que ao saber que íamos pegar a estrada, se disponibilizou em orientar sobre estradas, ligar para colegas de outros hotéis onde poderíamos nos hospedar no caminho, imprimir mapas. No final das contas, ainda fomos presenteados com uma garrafa de vinho produzido no Vale do São Francisco. Não vejo a hora de brindarmos esse vinho!

Olha o vinho que a gente ganhou!
Segundo o Rogério, assim como em Cingapura, em Petrolina há grandes parrerais. Aqui é possível ver a uva em 4 etapas do cultivo. Melhor que no Sul, onde há apenas 1 colheita por ano... Existe até um passeio de barco, que sai todos os sábados pelo leito do rio São Francisco, no qual se pode conhecer as vinícolas da região. Diferente, né? Quem sabe de outra vez que passarmos aqui nos programamos pra essa novidade.

Outra coisa que tinha esquecido de dizer foi que descobrimos que Cabrobó, no sertão pernambucano, é a "terra da cebola". JURO. Até onde eu sabia, era a terra da maconha... Nera não? rsrsrsr Não tivemos a oportunidade de provar as cebolas de lá. Nem a maconha, claro! Mas fica o registro.

Bem, era isso. Já, já tem mais.

Saindo de Petrolina...


Seis da manhã. Estamos de pé para mais um dia de estrada. A noite no Hotel Velho Chico (www.velhochicoplazahotel.com.br) foi revigorante. Quartos novos, limpos, e uma disponibilidade em ajudar encantadora do recepcionista Dênis. Recomendo demais. Pra não ter sido perfeito, só faltou um restaurante no próprio hotel (que sem tem, estava fechado), pra gente jantar. Xuxu teve que ir ao shopping à noite pra buscar lanche pra todo mundo. Fora isso, nota 10!

Temos pela frente 625km até Jequié, na Bahia. Quem sabe estiquemos até Poções. A estrada é quem dirá. Torçam aí pra que o nosso dia seja bom e seguro.

De noite tem mais novidades. Inté!


terça-feira, 9 de julho de 2013

Petrolina nunca pareceu tão longe...

Minas, aí vamos nós!!!

Primeiro dia na estrada. Ansiedade a mil! Turma maior e um destino lindo pela frente. Pois é... Mas mesmo assim, com toda essa vibração, os 836,9km que separam Fortaleza da cidade pernambucana de Petrolina pareceram mais de mil. É que depois de uma segunda-feira agitadíssima com os preparativos pra nossa nova jornada, tínhamos dormido pouco, e a estrada, cheia de caminhões, deixou tudo meio tenso. O bom da história é que, justiça seja feita, a BR 116 não está ruim, não.

Como da outra vez, saímos de Fortaleza um pouco atrasados. Acordamos às 5h, com previsão de "largada" para as 6h. Mas entre finalizar a bagagem, arrumar o carro, trancar a casa, alimentar as cachorras e tals, perdemos um tempinho. Colocamos o pé na estrada, de fato, às 7h. Pra uma turma de 10 pessoas, até que não foi tão mal, né?

Paradinha básica no Triângulo Quixadá (impossível não parar nesse "point" de quem é estradeiro e vai deixar o Ceará pela BR-116) e, em seguida, em Jaguaribe, pra um lanche rápido. A estrada está em manutenção em alguns pontos e perdemos um tempinho em engarrafamentos.



Nossa chegada a Brejo Santo foi perto de 1h da tarde. Um almoço lindo esperava a gente no sítio Ladeira Vermelha, da família da Iolanda.



Comida boa e vista linda, pra gente revigorar as energias e encarar os outros 345km que teríamos pela frente até Petrolina.


(foto do meu irmão Jaime, que também tá registrando a viagem no álbum "Expedição Minasgold 2013" no facebook dele/ https://www.facebook.com/domjaime.diolanda.5/media_set?set=a.135763146632171.1073741842.100005954585221&type=1)
A rede tava boa, a paisagem um encanto, e o cafezinho melhor ainda...Sem falar da conversa com esse povo hospitaleiro do Brejo. Quase que a gente não volta pra estrada! rsrrsrsr



Já eram mais de 3h da tarde quando conseguimos sair de Brejo Santo. Assim, chegamos a Petrolina às sete da noite, bem na batida programada pelo GPS. 


Nosso fim de tarde hoje. Sertão lindo!

O problema é que... olha só o que dizia o mapa do Guia 4 Rodas:



Ainda bem que chegamos são e salvos! Estamos hospedados do Hotel Velho Chico, uma grata surpresa. Quartos limpos, camas boas, atendimento simpático demais. Agora, é descansar pra amanhã retomar nossa jornada. Nossa meta é cruzar parte da Bahia e chegar a Jequié. Bora??

BASTIDORES:

- Pedro, como sempre, dorme a maior parte do tempo. E quando acorda, lá do seu banco no fundo do carro, vai disparando a metralhadora de perguntas. Quantos habitantes tem tal cidade, quanto tempo demora pra chegar de avião até a Bolívia (???), quanto é tanto vezes tanto, e por aí vai. Já seu deu conta que, de vez em quando, "a vegetação parece com a da África", e constatou que tá mesmo seco o Nordeste. E após longos trechos de estrada, quando avista uma localidade com mais de 10 casas, solta: "_ olha, finalmente chegou numa sociedade".

- Mamãe já tá de pescoço duro. Tensa que só! Olhos atentos em cada centímetro de asfalto, está alerta à aproximação de qualquer caminhão. Acho que pensa que vai conseguir, com o poder do olhar, frear os gigantes que tiram fina da gente em curvas, ou nos assustam nas ultrapassagens. Haja tandrilax!!!

- Até o fim da viagem hei de descobrir porque a minha sobrinha Ethel não desgruda da bolsinha Victor Hugo que carrega à tiracolo. Não, não é só elegância.... 




segunda-feira, 8 de julho de 2013

Correria na reta final pra pegar a estrada!

Tudo estava programado pra acontecer tranquilamente. Eu estou de férias, e claro, teria tempo de sobra para as providências da viagem. Que nada! Assim como na vez passada, o dia da "largada" foi se aproximando e percebemos que tínhamos deixado um monte de coisa pra última hora. Da revisão do carro ao tênis mais confortável...
O fato é que faltam pouco menos de 5 horas para o horário marcado para nossa saída de Fortaleza, e ainda estou por aqui, tentando me lembrar de qualquer detalhe que possa me surpreender negativamente quando já estivermos longe e não tiver mais jeito de voltar.

Como disse no post anterior, dessa vez a turma é maior. A princípio temos o desfalque da Bia e da Maria Clara. A Bia desistiu de ir quase na última hora. A Maria Clara vai de avião nos encontrar depois, já em BH, por causa de um tal curso de férias (que, pelo andar da carruagem, eu nem sei se vai servir, mas não tive argumentos para negar). No lugar delas entram meus pais e a filha do Xuxu, a Gabi. Nos acompanhando, no segundo carro, seguem meu irmão, Jaime Neto, minha cunhada Iolanda, e os sobrinhos Ethel e Heitor. A outra sobrinha, Carol, também vai nos encontrar direto em BH, porque tem compromisso imperdível em Campos do Jordão (ô bando de adolescente metido a independente, god!).

Enfim, com a turma maior, a viagem tende a ser mais animada e mais segura também. Um carro dá suporte ao outro. Sobre a animação, eu tô aqui repensando... É, pode ser mais animada, mesmo, ou um caos total. Se quando éramos 5 tivemos nossos "lundus", imaginem sendo 12! Das duas, uma: ou a gente aprende a se amar ainda mais, e a respeitar as diferenças dos outros, ou vai ser como o Big Brother, na base do paredão, eliminando um por vez... Aí eu vou rir!


NOSSO ROTEIRO:
A idéia é saírmos de Fortaleza às 6 da manhã, com almoço marcado em Brejo Santo, terra natal da minha querida cunhada, e onde nos espera um banquete! De lá, nossa meta é chegar a Petrolina. Será que a gente consegue?
Mapas e GPS estão prontos. Nosso cooler de guerra, cheio de coisas geladinhas pro caminho, também. E o principal: nossa imensa vontade de viver essa nova experiência. Vamos ver no que vai dar!

domingo, 7 de julho de 2013

Já, Já, botando o pé na estrada... De novo!

Já estávamos com saudades da estrada. Enfim, na próxima terça, dia 9, vamos mais uma vez sair do nosso porto seguro para uma nova etapa desse nosso "Descobrimento do Brasil". Os preparativos estão à toda. Desta vez a tripulação será maior, e nos dividiremos em dois carros. Nosso destino será Minas Gerais. As expectativas são grandes.
No próximo post a gente apresenta os viajantes dessa nova aventura. Espero que mais uma vez, nossos amigos viajem com a gente através das fotos e informações que colocaremos aqui.
E vai ser tudo ótimo de novo!
Aguardem....