sábado, 13 de julho de 2013

Em busca de um Belo Horizonte...


Rumo à capital...


Deixamos Serro já perto de meio dia. A cidade faz parte da Estrada Real, e por isso cogitamos a possibilidade de seguir até Belo Horizonte por ela, passando por Conceição do Mato Dentro. Seriam quase 200km de estrada de terra, e nem mesmo os moradores da região garantiam o bom estado da via. Com menos de meio tanque de gasolina, decidimos pegar a BR mesmo, e assim evitar qualquer transtorno.

Estrada em Gouveia/MG

E lá fomos nós, refazendo parte do mesmo percurso que tínhamos feito a caminho de Serro, até o trevo de Gouveia. E de lá, tomando a direção de Sete Lagoas. Estrada boa na maioria do percurso, e com pouco movimento de caminhões. Paisagem linda. Infelizmente, até por aqui, dá pra se perceber os efeitos da seca. Rios com filetes d'água. Vegetação acinzentada... Mesmo assim, é bonito mesmo. Ah, na localidade de Alexandre Mascarenhas uma banca irresistível de conservas à beira da estrada virou atração. Pimenta, broto de bambu, jurubeba, piqui (sim, piqui em conserva!), num colorido mágico.

Quem resiste??
A parada para o almoço foi num lugar fantástico! O Solar do Engenho é uma fazenda à beira da estrada, em Sete Lagoas, com restaurante ma-ra-vi-lho-so. E tome mais uma lapada de tutu, feijão tropeiro, leitão à pururuca e toda a sorte de comida boa que até faz a gente pecar. E a gente acaba pecando mesmo, até pra compensar os 45 reais por pessoa que se paga pelo almoço. Mas compensa. O visual é lindo. Depois do almoço a gente ainda se delicia vendo cavalos, porquinhos, vacas e galinhas, ambiente incrível! Recomendo demais! http://www.solardoengenho.com.br/index.php



Novo amigo da fazenda








Voltando a ser criança


O mano e a mina



E o melhor de tudo é que esse paraíso é pertinho de BH, nossa próxima parada. Até já!!!








Ainda sobre Serro/MG


Dormimos em Serro, a 87km de Diamantina. A noite foi ótima. Friozinho delicioso e uma paisagem linda!
Serro é uma cidade histórica mimosa que descobri por acaso futricando o mapa de Minas a procura de caminhos próximos a Diamantina para pernoitar. Quando chegamos, não entendi por que ela não era mais divulgada nos guias de turismo. A pousada onde ficamos é um charme, num casarão antigo adaptado para hospedar com conforto e aconchego.

Vista do nosso quarto da Pousada do Queijo
Nosso café da manhã na Pousada do Queijo
Mas além de nós não havia mais ninguém hospedado.Com o tempo, fui entendendo tudo...

Quando procuramos algum lugar bacana pra jantar, não havia muitas opções além de uma pizzaria, onde por sinal a pizza era ótima e o caldinho de feijão preto maravilhoso, porém demoraram uma eternidade para chegar... Eu quis pedir um omelete de queijo do Serro (especialidade da cidade e que estava no cardápio), mas justo o queijo tava em falta....
Ruas de Serro 

Praça da Igreja do Carmo
Na portaria da pousada perguntei o que deveríamos conhecer na cidade. Além da Igreja de Santa Rita e do Museu Casa dos Otonni, ela não soube indicar mais nada. Faltou preparo no atendimento. Perguntei onde na "cidade do queijo" poderíamos ver a fabricação deles, mas fomos informados de que a única queijaria que era aberta pra visitação não existia mais por falta de demanda... Nem acreditei.

Apesar da pousada linda e das ótimas referências que vimos na internet, o atendimento não foi legal. A recepcionista tinha que se dividir entre a portaria e o serviço de café da manhã. De cara amarrada sempre e de fones nos ouvidos, não tinha um pingo de trato com os visitantes, e chegou a ser grosseira. Ainda acho que vou mandar um e-mail pro dono da pousada avisando que ele corre o risco de perder todos os clientes, por mais lindo que seja o estabelecimento dele...

Apesar de tudo isso, hoje pela manhã eu e o Pedro resolvemos dar uma volta à pé pela cidade, e vimos coisas muito bacanas, que merecem ser registradas. Posto algumas fotos aqui:


Fachada da pousada. Apesar de simples, é um charme!

Centro histórico de Serro

Igreja de N. Sra. do Carmo



Vista da Igreja de Santa Rita
Igreja de Santa Rita. Longa escadaria pra chegar até aqui. Só eu e o Pedro topamos o desafio!

Desafio cumprido! Merecemos uma graça!



Se algum administrador de visão atentar para o potencial turístico da cidade, Serro pode ficar muito melhor. Apesar de tudo, valeu muito ter passado por aqui!


sexta-feira, 12 de julho de 2013

Tá ficando cada vez melhor!


Hoje foi o primeiro dia, desde que saímos de casa na última terça feira, em que sentimos que, de fato, estávamos cumprindo nosso objetivo de “descobrir o Brasil”. Depois de 3 longos dias de estrada, caminhões, alguns sustos e muitas horas sentados, fizemos o nosso primeiro passeio oficial. E foi no melhor estilo: fomos à Diamantina!




O caminho entre Montes Claros e Diamantina é lindo. Sinuoso (como parece ser qualquer caminho aqui em Minas) mas bem menos movimentado que as últimas estradas que pegamos. Nos demos até ao luxo de dar paradinhas pra fazer mais macacadas e também admirar a paisagem, como essa aí, em que descemos do carro pra apreciar a vista da ponte sobre o rio Jequitinhonha (será ele mesmo?), que serpenteia a serra em tons amarronzados, que contrastam com o verde da vegetação.





Chegamos a Diamantina por volta das 11:30h. Todo mundo apertado pra fazer xixi. Emburacamos no primeiro portão que vimos. E vocês acreditam que só depois descobrimos que estávamos na casa da Chica da Silva, uma das personagens mais importantes da história da cidade? Os funcionários de lá, que só abririam as portas pra visitação ao meio dia, acabaram nos recepcionando muito bem. E já que estávamos conhecendo o banheiro "histórico", como disse o Pedro, nos deixaram ficar pra visitar o resto da casa. Foi super interessante.

Eu doida que o Xuxu me paparique como o João Fernandes paparicou a  Chica da Silva...

Casa de Chica da Silva

Casa de Chica da Silva
Depois desse primeiro passo bem dado, saímos pra explorar o restante da cidade. LINDA, LINDA, LINDA! Casarões e sobrados bem preservados e coloridos. Pra onde a gente se virava dava vontade de tirar uma foto. E pra completar a felicidade do Xuxu, olha só o carrão que ele achou por lá! (Deve ter sido da Chica da Silva...)

Matando a saudade das cafuringas que deixou em Fortaleza
Andar por Diamantina não é fácil. Requer preparo físico pra andar nas ruas de pedras ainda do tempo do Brasil colonial. Mas o lugar é tão lindo que logo, logo, a gente recupera o fôlego. Aliás, nesse quesito, meus pais setentões estão de parabéns. Subiram e desceram sem reclamar, curtindo o passeio com a gente.




Morrendo de medo da penitência que meu confessor podia me dar...

Subir ladeira cansa!
Já sabíamos que nossa passagem por Diamantina deveria ser breve. Apesar de várias tentativas, não conseguimos encontrar pousadas disponíveis para passar a noite por lá. Neste sábado, dia 13, acontece uma das edições da Vesperata, um evento musical muito concorrido da cidade, quando a rua da Quitanda fica toda ocupada por mesinhas enquanto das sacadas dos casarões ao redor acontecem concertos de músicas. Dizem que é lindo, e a edição de julho é a mais concorrida do ano. Seria impossível encontrarmos vaga para 10 pessoas!

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Largo do Rosário. Ao fundo, a Igreja do Rosário, construída pelos negros para os negros,
 já que não podiam frequentar a igreja dos brancos. No primeiro plano, a gente casando, de novo!

Igreja do Carmo, cheia de curiosidades. Entre elas, a torre construída no fundo da Igreja.  Há versões de  que um dos motivos para isso seria não incomodar Chica da Silva, que morava ali vizinho, com o barulho do sino!



Relembrando a aula de história em que o Pedro aprendeu que antigamente as pessoas
pegavam água nos chafarizes, já que não havia água encanada nas casas.
Passadiço. Lindo!
Altar da Igreja do Carmo
Já que não podíamos ficar (apesar de querermos), o jeito foi otimizar o nosso tempo na cidade pra conhecer os pontos mais importantes. Além da casa de Chica da Silva, deu tempo da gente ir à Igreja do Carmo (R$2 a taxa de visitação), passar pela igreja do Rosário (que estava fechada), a Igreja do Senhor do Bonfim (em processo de restauração), circular por várias vielas com sobrados lindo, e ainda a Casa onde morou Juscelino Kubitschek (R$3). Pra quem não sabe, o nosso ex-presidente nasceu na cidade de Diamantina e hoje sua casa é preservada em forma de memorial. No local é possível ver fotos da infância dele, saber mais sobre como era a vida da família Kubitschek e até ver curiosidades, como uma réplica do consultório onde ele atendia antes de virar político e o jaleco que usava.



Réplica do Consultório do Dr. Juscelino



No final da visita, ainda pode-se tomar um café delicioso no antigo porão da casa (confesso que, pra mim, foi a melhor parte da visita!)

Olhar 43
Ah, não posso esquecer de falar do almoço e dar a dica. Vindo pra Diamantina, passe no restaurante “O Caipirão”. Bem localizado, pequenino mas organizado, limpo, e com um fogão à lenha tentador, com direito ao melhor da cozinha mineira em sistema de self-service. Caímos de boca num tutu maravilhoso, num feijão tropeiro delicioso, e num leitão à pururuca suculento. 




Às 4 da tarde tivemos que dar no pé. Ainda tínhamos 88km de estrada pela frente até chegarmos em Serro, outra cidadezinha histórica, parte da Estrada Real. Linda, linda, também. Muito menor que Diamantina, mas cheia de charme. Conseguimos fazer uma reserva na Pousada do Queijo, a mais conhecida daqui. Aliás, Serro é chamada de “terra do queijo” pelos mineiros. 

Escadaria da igreja de Santa Rita, a principal de Serro-MG
Noite em Serro. Era uma vez uma cidade pacata...
Amanhã pela manhã vamos poder acordar um pouco mais tarde, por volta das 8h, e depois dar uma volta por aqui pra conhecer melhor o lugar. Em seguida, hora de pegar mais estrada até Belo Horizonte, onde vamos passar o final de semana. Amanhã também chega a minha Maria Clara, que vem de Fortaleza, de avião, pra completar nosso time. Seremos 11, sem desfalques!

BASTIDORES:

- Na estrada: "_Mãe, estamos numa chapada?". Eu, meio confusa e insegura se ainda lembrava das aulas de geografia, respondo: "_Filho, isso aqui é uma cadeia de montanhas". E ele: "E qual foi o crime que as montanhas cometeram para estarem na cadeia??". Xuxu, pra me socorrer, responde: "Ah, isso daí você deve perguntar ao tio Jaime, que é juiz e sabe dessas coisas...".

- Ontem à noite, ainda em Montes Claros, tentamos adiantar para os meninos algumas informações sobre Diamantina. Falamos sobre quem foi Chica da Silva e, em seguida, Juscelino Kubitschek. Hoje, na estrada, pra reforçar, eu pergunto. "Pedro, lembra quem foi o Juscelino Kubitschek?". Ele ele: "Sim, o imperador". (toin, toin, toin, toin!)

- Se vier a Diamantina, prepare-se para enfrentar um trânsito esquisitíssimo no Centro Histórico. Para quem não está acostumado, a sinalização é confusa, quase caótica. Ruas estreitíssimas, com pedras lisas e um vai e vem de pessoas e carros se misturando entre as vielas. Isso deixou a mamãe muuuiiiito stressada. 

-Já em Serro, fiquei curiosíssima para experimentar o queijo produzido aqui, que deu fama à cidade. No restaurante que fomos fiquei frustrada: tá faltando queijo do Serro no mercado!

- Frio, muito frio. 

- E pra finalizar, a quem possa interessar:
ok??
Inté amanhã!

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Ultrapassamos os 2 mil km rodados!

E enfim, estamos nas Minas Gerais, mais precisamente na cidade de Montes Claros. Agora à noite, já no hotel, é que nos demos conta de que escapamos fedendo do caos que se formou nas estradas durante o dia de hoje por conta dos protestos, como mostra essa notícia que vi no G1:

http://g1.globo.com/bahia/noticia/2013/07/no-interior-da-ba-manifestantes-fecham-estradas-e-pedem-melhorias.html

Cruzamos a divisa BA/MG no final da manhã. Uma festa! Com direito a descer do carro, bater foto na placa e se passar de besta pra quem via aquela cena. Ô coisa boa é se permitir essas macacadas, né??


 Serelepes seguimos nosso caminho, até vivenciarmos uma cena que até então eu só tinha visto no cinema: fomos parados por uma viatura da polícia. Daquele jeito mesmo que a gente vê nos filmes! A viatura tava parada num cantinho e, de repente, começou a nos seguir. Até então, a gente nem tchuns... Tudo na estrada poderia ter problemas, menos nós. Aí, veio a sirene. Xuxu abriu caminho achando que os policiais queriam ultrapassar. Eles tocaram a sirene de novo e, encostando mais o carro, nos fizeram entender que éramos nós que deveríamos parar. O policial se aproximou da janela, pediu documentos e habilitação. Acho que fizemos cara de interrogação pela forma da abordagem, mas antes mesmo de perguntarmos qualquer coisa, ele adiantou: "o senhor fez duas ultrapassagens em faixa contínua. Aguarde que eu vou lhe notificar". (Para ler essa última frase, imagine a entonação do José Wilker dizendo pra dona Sinhazinha "se lave que vou lhe usar", em sotaque mineiro). E foi saindo pra assinar nosso auto de infração. Xuxu, de beiço branco típico de quando está muito emputecido, ficou calado, mandando em pensamento aquele homem sabe Deus pra onde. Enquanto isso Jaime Neto foi até o guarda, argumentou sobre a quantidade de carros que estavam fazendo a mesma ultrapassagem ali, na frente deles, e acabou o convencendo a nos deixar seguir. Ufa! Escapamos da multa. (Eu quis muito bater uma foto da cena, mas o PRF podia se invocar e acabar multando a gente mesmo. Espero que valha o relato).

(Brincadeiras à parte, aqui faço um parêntese. Esta viagem, mais que a outra que fizemos para o Centro-Oeste, tem nos mostrado o quanto o Brasil se move mesmo sobre rodas. A quantidade de caminhões nas rodovias impressiona, comprovando a falta de outros modais que facilitem o transporte de cargas pelo país. Junte-se a isso a jornada sobrecarregada desses caminhoneiros que, flagrantemente, cometem as mais graves irresponsabilidades ao volante. Hoje mesmo, escapamos de uma delas).

Filas intermináveis de caminhões na BR 251

Ao todo percorremos hoje 625 km. Era o previsto. O que não sabíamos era que a BR 251, que liga Vitória da Conquista a Montes Claros, era tão sinuosa. E a combinação entre estrada sinuosa e muitos, muitos caminhões, é um tanto tensa... Mesmo assim deu pra apreciar bastante os enormes campos de pinheiros, lindos, que ladearam boa parte do percurso.

Chegamos à Montes Claros no comecinho da noite, com direito a enfrentar a "hora do rush" em pleno centro da cidade enquanto procurávamos hotel.

Centro de  Montes Claros. Hora do rush.

Acabamos ancorando na Pousada do Sesc, que, como toda pousada do Sesc, é simples, porém limpa e funcional. O quarto, com 3 beliches de alvenaria, virou um parque de diversões pro Pedro.

E a pilha do menino não acaba....
 Esses 3 dias de estradas foram bastante cansativos. Não pelo tempo viajado, mas pela tensão que enfrentamos com o tráfego intenso. Amanhã deveremos ter um dia mais ameno. Vamos para Diamantina, a 237km daqui, e pousaremos em alguma cidade lá perto, talvez Serro, a terra do queijo. O bom dessa viagem tem sido esse lance de saber o rumo, mas não definir paradas. Vamos indo... Sigam com a gente!

BASTIDORES:

- Entre as perguntas lançadas pelo Pedro hoje estão: "Mãe, o que significa esnobe?" e "Mãe, como foi mesmo a morte de Romeu e Julieta, hein?". Por favor, não me perguntem em que contexto vieram essas perguntas. Não havia contexto. Ele matutou, matutou, e lançou. E eu que me vire em explicar.

- Ao passarmos em Francisco Sá (não a avenida daí, mas a cidade mineira vizinha a Montes Claros) avistamos uma estátua do Cristo Redentor sobre um morro. Pedro, empolgadíssimo, gritou: "Mãe, a gente tá é no Rio de Janeiro!".

- 14 graus pegamos nas proximidades de Vitória da Conquista. Vento geladíssimo. Vovô Chico e Vovó Marília, prevenidos que são, estavam bem agasalhadinhos!

14graus do lado de fora do carro

- Hoje completam 2 meses da partida da minha irmã, Luiza. Apesar das brincadeiras com que escrevi o este post, o dia foi difícil para meus pais, que enfrentaram a estrada com o coração apertadinho. Mas é bom estarmos juntos nesse momento. Tenho certeza de que vamos passar por tudo com muita firmeza e fé em Deus, e em breve estaremos todos fortalecidos.