sábado, 20 de julho de 2013

Mais de 8h para percorrer 230km

Parece loucura, né? Mas foi o que aconteceu com a gente hoje. Nessa história de "vamos curtir a Estrada Real", acabamos perdendo a noção do tempo e fizemos algumas escolhas que deixaram o nosso percurso mais longo do que imaginávamos. Depois de 8 horas da viagem que, teoricamente duraria 3, chegamos a Lambari, estamos alojados na casa da amiga Lucinha Bessa e a partir de amanhã, temos muita coisa linda pra ver.
Olha só como foi nosso dia:

Saímos de Tiradentes às 10h, bem mais tarde do que devíamos. Optamos por seguir pra Lambari pela Estrada Real ao invés de pegar a Fernão Dias. Até aí, foi uma ótima escolha. Passamos por uma cidade chamada Madre de Deus de Minas, parte do "Circuito de Montanhas Mágicas da Mantiqueira".



Não é lindo se sentir no meio de montanhas mágicas?? Eu adorei a idéia. Aí, é um tal de desce pra bater foto, olhar a paisagem, se admirar com tantos tons de verde que pintam as montanhas...






Até que chegamos a São Vicente de Minas, a "terra dos queijos finos". É claro que tínhamos que parar pra experimentar. Logo de cara Pedro avistou uma das unidades de fabricação da Polengui, e não conteve a felicidade porque ele  simplesmente AMA queijo polenguinho.

Fizemos a festa comprando vários tipos de queijo. Teve também uma "boquinha" básica com direito à pão de queijo, biscoitinhos, cafezinho...

  
E mais estrada. Aí veio Cruzília e... uma estrada de terra indicando a mística São Thomé das Letras. Foi aí que o bicho pegou. Desde o começo da viagem o Xuxu queria pegar um trecho off road da tal Estrada Real. Ir pra Lambari por São Thomé das Letras se apresentava como uma boa opção pra viver essa experiência. E eram só 36 km de piçarra....


Só 36km de terra... Vai nessa!
A gente seguiu achando tudo lindo, mas sem se tocar que, na estrada de terra tudo é mais lento e 36km se transformam em 70. Sem atinar pra isso fomos olhando paisagens, parando pra foto...


Fertilização familiar coletiva da Estrada Real


e o dia foi passando, meu povo, com a gente nessa estrada...


Só às quatro da tarde chegamos finalmente em São Thomé, mortos de fome e atrasadíssimos pra chegar em Lambari ainda de dia. Paramos pra almoçar e quando fomos seguir viagem nos demos conta de que essa "passadinha" em São Thomé tinha aumentado em  aproximadamente 65km o nosso percurso. Junte-se a isso o atraso causado pelo percurso off road, pronto! Foi o suficiente para chegarmos a Lambari quase às 7 da noite, com a mamãe estressadíssima, cansada, com dor na coluna, e todo mundo já entregando os pontos. Como o espírito da viagem é esse mesmo, experimentar, testar, descobrir, posso dizer que valeu à pena. Mas reconheço que tanto tempo no carro foi extremamente cansativo, principalmente para meus pais. Ah, os adolescentes, claro, também reclamaram.
Tudo vira festa!

 O Pedro, como sempre, continua fazendo fuá com tudo. Ô coisa boa é ser criança!

Ainda não fizemos planos do que vamos fazer amanhã. Mas estamos numa casa que foi preparada com todo carinho pra nos receber, e ficar aqui vai ser ótimo de qualquer maneira.

BASTIDORES:

- O atraso na saída de hoje nada tem a ver com o Heitor. Preciso ser justa. Fomos nós mesmos, arrumando malas, fechando a conta na pousada, conversando...

- Já contabilizamos várias perdas nesse tira e bota da bagagem no carro. Já se foi uma bolsa térmica da Iolanda, cheia de suquinhos e coisinhas geladas, o shampoo e o condicionador da Maria Clara, esquecido em Ouro Preto, e hoje me dei conta de que minha sacola de toalhas ficou sabe Deus onde... O pior é que só me dei conta disso na hora do banho aqui em Lambari. Ah, um pequeno oratório que comprei na feira de artesanato de BH, minha única aquisição até agora, também foi esquecido. Espero que tenha sido na casa da Bia. Ainda preciso checar. Tomara que eu não acabe esquecendo nenhum menino no meio do caminho...

- São Thomé das Letras é uma cidade curiosa. No ponto bem alto, a cidade tem váááárias construções de pedras.

No pouco tempo que passamos por lá percebemos que é uma espécie de reduto dos "bichos-grilos" e nos fez lembrar muito de Alto Paraíso, em Goiás.
Muitos hippies, gente cabeluda, roupas indianas. Mas a cidade tem um astral muito legal. Foi bom conhecer. Sem falar do por do sol lindo com que ela nos presenteou enquanto nos despedíamos, na saída para Lambari. Valeu tudo. 



-Ah, enquanto estou aqui tentando deixar o blog em dia, 1 da manhã, rola aqui por perto uma festa, com um cover da Janis Joplin. Valeu à pena estar acordada. "Bá noite"! 

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Que maravilha que é Tiradentes!!!!


Foi a escolha mais acertada passar mais que um dia em Tiradentes. Ô cidadezinha bacana de se estar... Como diz o bordão que anda sendo repetido insistentemente pelo meu irmão Jaime e pelo Pedro, Tiradentes "é um LUUUXO!" Tudo bem cuidado, ótimas opções de hospedagem, gastronomia pra todos os gostos e muitas opções do que fazer.




Tentando enganar o frio

 Além do circuito histórico, quem vem aqui tem opções de fazer uma programação mais aventureira, alugando um quadriciclo (meio carinho, a meu ver... R$350 por 2 horas), ou um cavalo (bem mais barato: R$30), ou de compras, visitando as dezenas e dezenas de ateliês que existem por aqui. Um artesanato lindo!!!!

E diante de tantas possibilidades, traçamos o nosso roteiro e tivemos um dia agitado. Logo de manhã, uma voltinha no centro histórico, conhecendo a Igreja Matriz, o chafariz de São José e caminhando pelas ruas de calçamento "pé de moleque".






Chafariz de São José
 

Depois seguimos para a localidade de Bichinho, aqui vizinho, onde nos indicaram comer a melhor comida mineira da região no restaurante Tempero da Ângela. Pense num negócio concorrido. O restaurante fica a 7 km do centro de Tiradentes, numa estrada de calçamento. Quando a gente chega lá, se depara com um lugar muito simples, porém com fila de espera tamanha a quantidade de clientes. A comida é boa e o preço melhor ainda: você paga 20 reais e tem direito a se servir à vontade, num imenso fogão à lenha. Todo mundo adorou, menos a Maria Clara, a Ethel e o Heitor. "Não tem nada que preste", eles resmungaram. O restante do grupo comeu que pecou. O Pedro ainda soltou um "ai, que comida boa", depois de derrubar uma pratada de arroz com feijão, pernil e macaxeira. Meu pai e minha mãe também não tiveram do que reclamar, e tome torresmo (tomara que o cardiologista não esteja lendo o blog)!

O caminho até Bichinho, essa localidade onde fica o Tempero da Ângela é cheio de ateliês de arte e artesanato. Cada coisa linda, minha gente. Cada coisa diferente, original... Agora, prepare o bolso, porque é tudo muito caro. Mas que são lindas, são!

Museu do Automóvel da Estrada Real
 Na volta já era hora de fazer mais um passeio característico daqui. Ir de Maria Fumaça até São João Del Rei, cidade vizinha, mas muito, muito maior que Tiradentes. Na verdade a maior entre as cidades históricas. O passeio é muito divulgado nos guias de turismo, mas não vou nem mentir que achei muito aquém do esperado. A paisagem não é linda como eu imaginava, e é o tipo do programa que só se faz a primeira vez que se vem por aqui. Porque valer, valer à pena mesmo, não vale, não.



Dona Edna, que vende as "delicias do passado". Quando soube que éramos cearenses, fez festa. Disse que já tinha ido à Limoeiro do Norte pra ensinar as mulheres de lá a fazer o "pirulito de mel' e recebeu o título de Mestre do Pirulito de Mel.

Pelo menos optamos por fazer esse passeio já às 17h ( última das 3 saídas que a Maria Fumaça faz às sextas feiras), vimos um belo por do sol, e contratamos uma van pra voltar (R$20 por pessoa), com direito a um city tour express no centro histórico de São João Del Rei. Deu pra gente ter uma noção da cidade e ver curiosidades como uma das igrejas mais ricas do Brasil, a de N. Sra. do Pilar, onde estão depositados 400kg de ouro em altares e imagens, fora as pedras preciosas. É de encher os olhos!



Na volta do passeio, demos uma parada na Matriz de Santo Antônio pra conferir o concerto da organista Eliza Freixo. Esses concertos acontecem nos fins de semana em Tiradentes e Mariana. Tivemos sorte de estar aqui e coincidir com a apresentação. Ouvir aquele órgão do século XVIII tocando, naquele ambiente da igreja me fez viajar no tempo. Quase consigo ouvir o som das carruagens trotando nas ruas de pedra, imaginando os trajes de veludo dos homens e os vestidos das mulheres daquela época. Incrível. Pena não poder fotografar... Outra emoção pra gente gravar no coração.

E pra coroar o dia, uma voltinha no circuito gastronômico do centro. Só que desta vez, ao invés de parar num restaurante, optamos pela barraquinha da quermesse que tava acontecendo na praça. Comemos pastel, ouvimos Luiz Gonzaga e eu e a Iolanda ainda dançamos quadrilha com um povo morto de animado que se juntou na praça. Bom demais!!!!

Acho que não esqueci de nada, mas confesso que tô morta de sono. Melhor eu ir dormir porque amanhã  (que nada, daqui a pouco, porque já são 2 da manhã!) colocamos o pé na estrada em direção à Lambari e ao circuito das águas. Acho que vai ser lindo. E assim que der, posto mais fotos das nossas andanças por aqui.

Inté!

Estavam sentindo falta de notícias??


Os últimos 2 dias foram de atividades intensas na nossa programação. E no hotel onde estamos, em Tiradentes, a sinal da internet não é dos melhores. Pra atualizar o blog ontem eu teria que me submeter ao frio de 15 graus na recepção (onde pegava bem), e claro que preferi minha cama bem quentinha... Mas hoje, que parece que o sinal melhorou, vou tentar atualizar tudo o que vivemos nas últimas 48 horas.
Viagem ao centro da terra!
Ontem saímos de Ouro Preto com destino a Tiradentes. Claro que tínhamos que fazer uma parada em Mariana, cidade vizinha de Ouro Preto, primeira vila e primeira capital das Minas Gerais. Antes mesmo de chegar ao Centro Histórico, paramos pra conhecer a afamada Mina da Passagem, que fica na estrada entre os dois municípios.
Meu pequeno Indiana Jones

Família unida a 120m de profundidade
Impressionante "arquitetura" debaixo da rocha
A princípio a mamãe disse que não iria, porque tinha medo da descida, mas depois cedeu e fomos todos. Num carrinho seguro por um cabo de aço descemos 120 metros de profundidade.

 A mina está desativada desde a década de 90, quando encerrou as atividades da mineração e passou a de dedicar exclusivamente ao turismo. Ao contrário do que pensávamos, era uma mina industrial, explorada por uma empresa inglesa. O trabalho de "engenharia" feito lá por baixo é sensacional. As implosões foram calculadas de forma de deixar colunas feitas com a própria rocha.

Por lá também há um lago, fruto da escavação até o lençol freático, com água cristalina, e que hoje é usada por mergulhadores que curtem mergulhos em cavernas. Na mina aprendemos o que significa "ouro de tolo", e vimos como era usada a bateia para a extração do ouro. No final das contas o passeio agradou a todo mundo, foi curioso e bem animado.

Doido pra achar um ourozinho...


De lá seguimos para o centro histórico de Mariana. Era só uma passagem, para vermos como era a cidade, mas acabamos entrando no Museu Arquidiocesano de Arte Sacra, que fica junto da Matriz de N. Sra. da Conceição, e é o segundo mais importante do Brasil. Ótima dica também. Pena que é expressamente proibido bater fotos no local, e vamos ter que guardar esse registro apenas nas nossas lembranças.




Já era perto de meio dia quando pegamos a estrada novamente para seguir viagem até Tiradentes. Optamos por fazer um trecho da Estrada Real, via Ouro Branco, e foi a melhor decisão que tomamos. A estrada é linda! Serpenteia montanhas, e vez por outra nos surpreende com pedaços da história como a Casa de Tiradentes, a Estalagem dos Inconfidentes, antigas pontes de pedra, relembrando as trilhas que eram seguidas no século 18. Um charme. 





A Estrada Real é muito convidativa pra umas paradinhas de vez em quando, como a que fizemos num lugar muito bonitinho chamado de "Café com Prosa", e onde comemos um pão de queijo delicioso, digno da fama mineira.
Café com Prosa - muitas delícias à beira da Estrada Real

E nessa de parar e parar, acabamos chegando em Tirantes depois das 18h. A idéia era pernoitar e seguir viagem pra Lambari no dia seguinte, mas já, de cara, o pessoal da pousada nos convenceu a ficar mais um dia por aqui. A gente nem pensou duas vezes. Tiradentes é uma ciudadela (como diz o Pedro) encantadora. É a menor cidade histórica de Minas, e talvez por isso, aconchegante e bem cuidada. Tão aconchegante que, mesmo cansados, ainda tivemos disposição pra dar uma voltinha à noite no centro e descobrir a variedade de barzinhos e restaurantes que deixam qualquer um apaixonado pelo cardápio e pela decoração.
E muita coisa ainda ia nos seduzir em Tiradentes. No próximo post eu conto mais!

 BASTIDORES:

- Em Tiradentes experimentamos o maior frio! Saiu até fumacinha da boca, pra alegria do Pedrão. Ô matutice boa!!!!

- Foi muito bacana a recepção da pousada onde estamos hospedados, Serra Vista. A Fabiana e a dona Enir nos fizeram sentir em casa. E o que é melhor: sem nem precisarmos pedir, elas deram um jeitinho de nos dividir nos quartos de forma que todos os adolescentes e o Pedro ficaram num quarto só, e nós, os casais, nos nossos. Acho que até elas notaram que a gente merece uma folguinha dessa turma, né??

- Nesse trajeto entre Ouro Preto e Tiradentes, optando pela estrada que viemos, nos perdemos algumas vezes nos trechos urbanos da rodovia. As indicações das placas não batiam com as dos GPS, e acabamos perdendo um tempinho pra nos reencontrar. O fato é que o tal "quem tem boca vai à Roma" é a pura verdade.

- Nossa parada para o almoço foi na cidade de Ouro Branco. Sem um décimo da fama de sua "xará negra", esse lugar nos ofereceu um almoço muito melhor que em Ouro Preto. Recomendo o restaurante Duas Irmãs, bem na cidade, mas no acesso à BR. Um self service simples, mas que serve o melhor lombo recheado que já me lembro de ter comido.

- Sim, existe a cidade do Rocambole. Não, não estou falando da tal Bole Bole Saramandística! É a terra do Rocambole mesmo, e se chama Lagoa Dourada, no caminho de Tiradentes. Pra onde você olha tem uma placa vendendo o melhor rocambole de todos. Infelizmente, como a gente já tava muito atrasado pra chegar em Tiradentes não paramos pra conferir. Queria ver se tinha algum que fosse melhor que o da minha vóinha...

Lagoa Dourada, a terra do Rocambole!

quinta-feira, 18 de julho de 2013

História Iluminada - Ouro Preto Parte 2

Ouro Preto à noite
Fiquei um pouco admirada da pouca movimentação de Ouro Preto à noite. Pelo menos na noite de ontem. Apesar de ser um mês de férias e de a cidade ser um dos palcos do Festival de Inverno, apenas alguns bares e restaurantes estavam abertos. Pouco movimento na rua.

Escolhemos  o Restaurante do Ouvidor, na r. Direita que, segundo a mamãe, era "tão alinhado"... Os preços do cardápio também eram bem "alinhados", e por isso, todos viramos italianos e comemos talharim à bolonhesa, que era o prato mais barato do menu. Foi uma ótima escolha! Delicioso, prato farto, e ainda deu pra pedir uma garrafa de vinho (ok, era da Serra Gaúcha, mas tava ótimo! rsrsrsr) Valeu à pena também pelo local. Um sobrado histórico, com sacadas de ferro, e um serviço bem "alinhado" também.

Depois de jantar, brindes, fotos, e muito miolo de pote conversado, fomos dar uma volta à pé na Praça Tiradentes. Ah... como tudo fica lindo iluminado.

Nossa turma ocupando Ouro Preto

Mais fotos, mais macacadas e voltamos pra descansar porque hoje nosso destino é Mariana e a estrada pra Tiradentes, onde vamos pernoitar. Vamos tentar conhecer uma antiga mina de ouro que existe entre Ouro Preto e Mariana e que é aberta à visitação. Pode ser um ótimo passeio para os meninos! De noite eu conto como foi.

BASTIDORES:

- Depois do jantar mamãe e papai tiveram uma crise de choro. A saudade da Luiza muitas vezes é maior que qualquer alegria que tentemos proporcionar. Mas vamos tentando, um dia após o outro. Essa ausência que ainda dói na nossa mesa, um dia vai ser transformada numa lembrança muito doce.

- A pousada onde ficamos é simples, simples mesmo. Mas hoje pela manhã, depois de um café da manhã feito com muito capricho, escutamos do Toninho, o dono: "espero que vocês tenham gostado. Trabalhamos muito pra oferecer um quarto limpo, tentando atender o que os nossos visitantes precisam. Eu sempre digo: _Aqui temos uma família cuidando das outras." Por mim, essa frase compensou o colchão fino e o banheiro apertado.

- Heitor continua dando trabalho pra acordar e atrasando as nossas saídas. Acho que vou ameaçar publicar tudo isso no facebook dele. Pode ser que sob pressão ele tente ser mais cooperativo.
"Maluco Beleza", um cão de rua que ficou amigo do Pedro e foi batizado assim...

Museu da Inconfidência