sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Algumas das fotos prometidas!


 No post anterior não deu tempo carregar as fotos. Seguem algumas, só pra dar um gostinho!


MUSEU DEL ORO










CENTRO HISTÓRICO / CANDELÁRIA / CHORRO QUEVEDO






Palácio da Justiça

Palácio da Justiça
Calle 10

Jardim interno da Casa de Rufino Cuervo, o filólogo
Salão preservado da casa de Rufino Cuervo - que vai entrar pra história pelo concerto dos meus pais! Hahaha
 RESTAURANTE SANTA CLARA  - CERRO MONSERRATE








Ao fundo, decorado de natal, o primeiro funicular usado para subir o Cerro, na década de 20.
Hoje é considerado relíquia nacional.


O teleférico nos deva a uma altura de 3.150 metros acima do nível do mar. Haja fôlego!

Vou começar a preparar o próximo post. Nosso roteiro inclui a visita à Catedral de Sal (vcs não imaginam o que vem por aí!), nossa primeira grande experiência num legítimo "trancon" colombiano (leia-se um engarrafamento de lascar!), e nossa passagem pelo Centro Cultural Gabriel Garcia Marquez e pelo Museu Botero. Tudo bom demais!
Ah! Já deram uma olhada na lua hoje?? Aqui tá linda!

Besos, e hasta luego!







Um dia intenso, com direito a concerto de piano, "mucho oro", almoço cinematográfico e uma vista de tirar o fôlego, literalmente!

Com esse tanto de coisa que falo no título deste post, já dá pra ver que o dia de ontem foi produtivo, né? E assim, quero justificar minha falta de coragem em colocar tudo no blog ontem mesmo. Estávamos "estropiados" ao fim do dia.

Depois de uma bela noite de sono (com o Pedro dividindo a cama por conta de umas "alucinações" - palavra empregada por ele - que andou tendo na noite anterior, envolvendo uma indiana e um anão, e que lhe roubaram a coragem de dormir sozinho (apesar de estar no quarto com as duas irmãs) - e que, ainda segundo ele, podem ter sido motivadas pela vitrine da "loja da maconha"), acordei cedinho pra tentar registrar alguns dos melhores momentos do dia, que foi massa!

Começamos fazendo uma caminhada pela Candelária, centro histórico de Bogotá. É muito perto do nosso hotel, e descemos a rua curtindo cada fachada, cada plaquinha onde está escrito "aqui morou fulano de tal, que no ano tal fez tal coisa". Personalidades de quem nunca ouvimos falar, mas que nos despertam curiosidade.



E curiosos que somos, acabamos entrando num casarão que estava com a porta aberta. De fora, podia-se ver o jardim interno, belíssimo, típico dessas construções, e que revelam a influência árabe na cultura dos colonizadores espanhóis que passaram por aqui.

O que deveria ser só uma espiadela no jardim, se tornou um belo tour. Descobrimos que o dito casarão havia sido propriedade de um homem chamado Rufino Cuervo, um filólogo colombiano, apaixonado pela língua castelhana e autor de um dicionário. O irmão dele criou a primeira cerveja colombiana, a Cuervo. Hoje a casa é propriedade do ministério da Cultura e ali funcionam alguns escritórios. Mas se preserva uma espécie de museu.


O funcionário, muito prestativo, foi logo abrindo tudo pra gente ver. Um salão lindo, com um piano de cauda sedutor. Mamãe foi logo tratando de sentar e arriscar uns acordes. Uma cena linda. O som acabou atraindo algumas pessoas dos escritórios para o salão, e quando vimos, tínhamos uma pequena plateia!

Quando ela se levantou, o papai tomou seu lugar e deu show com uma música "popular", que foi cantada por uma das mulheres que chegaram ali.


 Gente, foi tão lindo! Fiquei toda arrepiada. Aquele lugar, aquela música, a simpatia daquele povo.



Saímos energizados, flanando pelas ruas, entre aquelas construções lindas! Chegamos à praça Simon Bolívar, que concentra muitos prédios importantes e imponentes, como o Palácio da Justiça, o Capitólio Nacional, a sede da Alcadia Mayor e a e a Catedral Primada de Bogotá, reunindo assim na Plaza Mayor (como vemos nas cidades da Espanha), as instâncias de poder reunidas. Apesar de ser "primada" o prédio da catedral é o quarto construído ali. Está no mesmo lugar onde antes existiram outras 3 (estas sim construídas no século XVI). A atual foi erguida entre 1807 e 1823 e é bem mais imponente por fora que por dentro. Ao lado dela está a Capela do Sacrário, esta sim, antiquíssima, de 1689.
Catedral Primada de Bogotá
E no meio dessa imponência arquitetônica toda, a praça reúne crianças correndo, pombos, muitos pombos, e lhamas!! Ah, como são fofinhas, e peludinhas, vestindo gorros engraçados para posar com turistas.


Palácio da Justiça
De lá seguimos pela andando pela Carrera Séptima, por entre obras que estão sendo feitas pela prefeitura local e que vão transformar a via em peatonal, num projeto lindo cheio de bancos, quiosques, espaços para gente mesmo, e não pra carros (eita, não posso me empolgar nesse tópico!). Pra mim, particularmente, foi muito bom ver.

Chegamos à Igreja de San Francisco (belíssima!!!). É a igreja mais antiga de Bogotá. O altar é de uma riqueza nada franciscana. Recomendadíssima essa visita! Praticamente em frente à igreja fica o Museu do Ouro, outro passeio obrigatório por aqui. O museu reúne toda a história do metal, a relação dele com nossos antepassados, as técnicas para molda-lo, o que ele representava para as sociedades andinas. Uma coleção impressionante de peças que recontam séculos e mais séculos de civilização.




*Paradinha básica para uma fofoca de bastidor: mamãe visitou todo o museu refestelada numa cadeira de rodas. Como anda se queixando da coluna, do joelho, da idade, achamos mais prático, até para que ela se poupasse para o resto da maratona que tínhamos pela frente. Que foi engraçado, foi.


Do Museu do Ouro seguimos de táxi para o teleférico do Cerro Monserrate, uma montanha 3150 metros acima do nível do mar, que tem uma visão privilegiada da cidade. O problema é que, por conta da altitude, é preciso fôlego para caminhar lá em cima. Poucos passos são suficientes pra nos deixar ofegantes, principalmente porque lá em cima há escadas pra qualquer lugar que você vá (acessibilidade zero para que tem problemas de locomoção).


Meu pai e minha mãe sofreram um pouco com isso, e pra eles, o passeio foi limitado. Nós mesmos, mais jovens, sentimos o cansaço. O único que ficou saracoteando de um lado pra outro sem sentir nada foi o Pedro. Ô infância boa!

A parte mais linda de lá, por incrível que pareça, não é a Igreja, mas os restaurantes localizados em pontos estratégicos, que oferecem uma vista linda de Bogotá. O San Izidro e o Santa Clara, que foi o que escolhemos. Fica numa linda casa branca, com janelas de vidro, cercadas de verde e flores. Um lugar tão bonito que me emocionei, e quando dei por mim, estava chorando de alegria. Agradecendo a Deus pelas oportunidades que temos tido, pela graça de ter saúde para estar aqui, visão para apreciar tanta beleza, pessoas que amo ao meu lado.

A comida servida no restaurante é divina. Cardápio excelente e preço, como diz meu amigo Ricardo Bola, muito justo. Nessa hora, ninguém perdeu o fôlego.

camarões recheados de entrada


Depois do almoço só eu e Pedro tivemos disposição pra conhecer a igreja do Senhor de Monserrate. Fizemos nossos pedidos (e dessa vez não foi pra passar o calor) e mais uma vez agradeci por tudo. E mal acabamos de sair da igreja, pecamos! Foi a danada da gula, que não nos deixou resistir às famosas "obleas con arequipe", uma espécie de chegadinho com doce de leite que é de comer rezando.

Por volta de 16h estávamos descendo o teleférico, apreciando uma Bogotá imensa e linda.

Tomamos o rumo da tal Zona Rosa, tão esperada pela Maria Clara. A Zona Rosa é, na verdade, uma região onde se concentram as melhores lojas da cidade, junto com os melhores bares, restaurantes e hotéis (zona T). Maria Clara não conteve o grito quando viu brilhando numa esquina a fachada de 3 andares da Forever 21. Enfim, é um local badalado, cheio de gente na rua, com "ares de Miami" (mais uma vez repito: não conheço Miami. Minha referência aqui, pra quem é de Fortaleza, seria aquele circuito Dom Luiz/Virgílio Távora - melhorado umas 20 vezes. ;)

E assim, depois de bater muita perna e pegar uma briga com o Pedro (que agora aprendeu a palavra "jugueteria" - loja de brinquedos) por causa de uma Nerf que ele insiste em querer comprar aqui porque é "muito barato" (ele já tá mais ou menos entendendo como é a conversão para pesos colombianos - um perigo!), voltamos para o hotel. Cansados, mas com a sensação de que vivemos 3 dias em um.

Daqui a pouco tem mais. Já, já sairemos para Zipaquirá, uma cidadezinha a cerca de 40km daqui, onde vamos conhecer uma catedral construída numa mina de sal. Parece massa, né? No próximo post eu conto tudo!

Besos, besos!

*Depois vou fazer um post só de fotos. Como demora muito pra carregar, e já tenho que sair, acabei não colocando quase nada do que gostaria.


quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

O que a Colômbia vai deixar pros meus filhos...

Esse post vai ser curtinho, já, já vamos sair pra bater perna, mas aproveito pra adiantar algumas impressões que tenho tido e a confirmação feliz de que viajar é mesmo o passaporte para muitas emoções e conhecimentos, e construção de valores e sentimentos.



Tem sido muito bom ver como Pedro, Maria e Gabi têm se comportado aqui. Afinal, não estamos na "Disney" e pra eles poderia parecer tudo meio chato. Mas que nada! Vez por outra flagro o Pedro soltando uma frase que traduz como ele percebe com sensibilidade as coisas que vemos por aqui. Como presta atenção nas explicações, no modo como as pessoas falam, como se deixa tocar pela beleza e pela curiosidade que está por trás das coisas antigas.

Pedro e "Tintin", na Crepes e Waffles, em Cartagena

A Gabi não é de expressar, é caladona, mas do jeito dela tem demonstrado que está bem. E a Maria também tem me surpreendido. Entre conflitos sobre o "look do dia" (todos ensaiados previamente em Fortaleza para cada situação, cada passeio, cada clima) e estranhamentos com o que se come aqui, tem mostrado também que tem adorado a experiência. E hoje vi isso no próprio blog dela. Fotos lindas, relatos muito bonitinhos. Inclusive, sugiro a quem quiser, acompanhar essa viagem também no http://perdidanautopia.com/. É a mesma viagem, sob o ponto de vista de uma adolescente. Li e fiquei feliz por ela (e por mim, confesso).

Foto do Blog Perdida na Utopia. Minha pequena sereia!


SOBRE A LÍNGUA...

Interagir com a língua espanhola tem nos proporcionado muitas risadas. O jeito que meu pai tenta se comunicar, às vezes falando um pouco mais alto e devagar, como se isso fosse suficiente para ser compreendido. Os "muchas gracias" e "buenos dias" e "buenas noches" que sobram nas nossas bocas em todos os lugares. As caras de paisagem quando não entendemos nada...

Mas houve avanços. Ontem, por exemplo, enquanto conversava com o taxista sobre um passeio que faremos na sexta, me peguei falando alto "ai, meu Deus, como é mesmo sexta-feira em espanhol?" E já ia começar a lembrar de um por um (lunes, martes, miercoles...) até que o Pedro solta do banco de trás. "É viernes, mãe!". Dei um grito de alegria (valeu, tia Nadezda!).

Foi dele também a repreensão ao Xuxu: "Pai, para de fingir que sabe falar espanhol!", diante do portunhol do Xuxu,

E uma observação meio crítica, revelada a mim: "mãe, acho que o vovô e a vovó pensam que estão an Itália. Ele me chamou de bambino, e ela me deu "buon giorno". Ri alto!

Ah, e ontem ele me contou que "conversou fluentemente em inglês" com uma mulher lá na ilha. Eu perguntei por que ele tinha falado justo em inglês, e ele me respondeu: "é a língua que falo melhor". E o que vc disse? "Where is the bathroom?" (pronúncia perfeita, viu, gente). E ela? "At the left, after the dinning room". Foi esse o papo fluente. Mas ele anda num orgulho só...

Enfim, gente, essa foi mais uma de bastidores. Agora vamos tomar café pra sair. São 07:40 da manhã e hoje teremos um dia cheio de coisas lindas pra conhecer.
Depois eu conto mais.
Ai, que frio....

Besos!


Pedro e o taxista William. 

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

20 graus a menos em menos de 24 horas. Ai, que frio!

Agora que já passou um pouco da minha revolta pelo nosso primeiro programa em Bogotá ter sido uma ida ao shopping (como desabafei no post anterior), agora posso fazer o post bacaninha, falando do nosso dia, da mudança radical que foi sair de Cartagena numa temperatura de 32 graus e estar agora mesmo, com os dedos congelando para digitar esse texto, num frio de 12º.

Pra justificar minha chateação mais cedo, só posso dizer que, pra mim, viagens não combinam com shoppings. É como se fosse um tempo perdido, mais do mesmo, uma experiência que não me agrega nada. Por outro lado, estamos viajando em grupo e, em grupos, principalmente familiares, temos sempre que negociar. Hoje fui voto vencido. No final das contas, não me arrancou pedaço, almoçamos bem e o Xuxu ficou muito satisfeito com um sapato que comprou com solado de pneu Michelin (sem querer fazer propaganda), que segundo ele vai durar a vida inteira -  o que acho péssimo, porque o sapato não é muito bonito, não...

Às 15:30h nossos bat-taxistas foram nos buscar e trazer de volta para o hotel, onde chegamos realmente acabados de sono (tínhamos acordado 04:45h para ir ao aeroporto em Cartagena). A ideia era tirar um cochilinho restaurador para depois ir explorar a noite de Bogotá. Qual o quê! Tava todo mundo tão cansado que perdemos a hora e só acordamos depois das sete! E mais, praticamente congelados! Quando fui procurar meu pai e minha mãe no quarto, estavam totalmente encorujados debaixo do cobertor. Os bichinhos não tiveram coragem de sair.

Fomos então eu, Xuxu e os meninos dar uma caminhada pela Candelária, que é o bairro onde estamos hospedados, e que é o centro histórico de Bogotá. Todo mundo devidamente empacotado, porque o frio não tá fácil. Mas valeu à pena! O bairro guarda um casario antiquíssimo, com fachadas lindas. As ruas mal iluminadas nos remetem realmente ao passado.







 Em poucas quadras chegamos ao Chorro Quevedo, que é o núcleo inicial da fundação de Bogotá. Casas construídas ainda pelos anos de 1538. Uma preciosidade.



A casa mais antiga de Bogotá. Foi aqui onde tudo começou.

Ermita de San Miguel del Príncipe

Hoje o bairro tem um ar totalmente underground. Por uma viela estreitíssima, as paredes cobertas por grafites incríveis demarcam bares, lojas de artesanatos, estúdios de tatuagens e muita gente diferente...







Em uma das vitrines, um mostruário inteiro de narguilés e outros instrumentos usados pra dar "aquele" barato. Aquele, sabe? Entre eles, figuras do Bob Marley e um pé de coca (aqui muito usada para se fazer um chá, por conta da altitude). Pedro ligou logo as butucas. Olhou, olhou e disse: "Muito interessante essa loja de maconha, né, pai?". Caímos na gargalhada. 

A "Loja da Maconha", segundo a definição do Pedro.
Quando conseguímos distrair a atenção dele da "loja de maconha", continuamos nossa caminhada, à procura de um lugar pra jantar. Entramos inocentes numa pizzaria, de onde fomos convidados a sair imediatamente quando avistaram o Pedro. "No se entra acá con niños, señora! Hay tragos en las mesas." E aí, foi dureza pra explicar ao menino por que não podíamos ficar ali.

Foi aí que encontramos o Gato Gris, restaurante charmosíssimo que funciona numa casa colonial de séculos de existência. Decoração linda, lareira, música ao vivo, e comida espetacular (indicação perfeita, hein, Ricardo Bola!).




Nos deleitamos com ceviche de camarões e kani, um carpaccio de salmão, vinho, e um macarrão com frutos do mar.

Carpaccio de Salmão
Ceviche de Camaõres e kani (pela bagatela de 16 mil pesos, o que dá pouco mais de 20 reais)

E assim, esqueci do shopping, do cansaço, do frio (que nesse momento está em 7º), e voltei pro hotel feliz, com a certeza de que a escolha pela Colômbia foi uma das melhores dos últimos tempos.

Amanhã tem mais!
Besos!

Ponto de parada para leitura. Eu já tinha visto na internet, hoje vi in loco. Naquela parte amarela ficam livros que podem ser pegos gratuitamente por qualquer pessoa. Achei fantástico. 

De vuelta a Bogotá

Saímos de Cartagena bem cedinho. Na verdade, quando saímos do hotel ainda estava bem escuro, apesar de já passar de 5:20 da manhã.



Desta vez nada de atrasos no vôo da Viva Colômbia. Pedro começou a dormir antes mesmo do avião decolar. Quando pousamos em Bogotá, abriu os olhos meio lesado e disse: "Chegamos? No meu tempo cerebral só passaram 49 segundos". Engraçadinho...

O William, motorista de táxi que virou nosso chapa quando chegamos de Fortaleza, foi nos buscar. Agora é meu best friend de whatsapp!

William (de gravata) e seu irmão Anatole (de terno atrás). Os taxistas mais gentis e elegantes de Bogotá

O problema foi que chegamos ao hotel às 10:30 e o check in só poderia ser feito às 15h! Aí, qual foi a ideia maravilhosa da minha família? "Vamos esperar no shopping!!" (Ô vergonha! Eu aqui doida para ir a um museu, a uma igreja...)

Enfim, fomos pro shopping. Depois eu conto o tamanho do meu tédio...