domingo, 7 de dezembro de 2014

O grande trancón, as muitas "bussetas" e as figuras de Botero



Experimentamos pela primeira vez um legítimo trancón (engarrafamento) na volta da Catedral de Sal, em Zipaquirá, para Bogotá. O percurso, que poderia ser feito em 1h e 10 minutos, se transformou em longas 2h e meia. E estava chovendo, e o motorista pegou um caminho esquisito... Enfim, haja conversa, piada besta, silêncio absoluto, sono, fome...




E claro que foi no meio desse ócio que descobrimos um trocadilho meio... digamos... irreverente. É que os "buses" pequenos (ônibus como as topics de Fortaleza) que alimentam as linhas do transmilênio (o sistema de BRT de Bogotá), são chamados aqui de... BUSSETAS. Aí vocês já imaginam, né? Foi só a nossa guia dizer que "existem bussetas de todas las "colores" circulando pelas ruas de Bogotá" para que o Pedro passasse a verbalizar a cada esquina que estava vendo uma "busseta". "Olha mãe, como essa busseta tá cheia!". "Pai, tá vendo aquela busseta vermelha?". "Mãe, aqui em Bogotá tem muita busseta, né?" Frases sempre acompanhadas por um sorrizinho canalha de quem está adorando poder falar essa palavra sem constrangimento nenhum.

Busseta amarela
Busseta vermelha. (há ainda as pretas, as verdes, as coloridas... Indo para vários pontos da cidade
Depois de ver muitas "bussetas" e falar muita besteira, chegamos ao hotel. Eram quase 4 da tarde, mortos de fome. Ninguém queria sair pra comer por conta do frio e da chuva, e a opção foi pedir pizza pra meninada (foi a terceira vez que a tal Monapizza salvou nossa fome). Eu, o papai e a mamãe resolvemos experimentar um prato típico daqui, o “Ajiaco”, uma sopa feita à base de batatas, milho, frango, alcaparras e abacate (que dispensamos, eca!). O ajiaco é servido acompanhado com arepas quentinhas e creme de leite. Gostoso demais. E meio “levanta defunto”, sabe? Forte demais!

Ajiaco preparado pelo Juan Carlos, dono do hotel onde estamos
A chuva deu uma treguazinha e resolvemos (a turma jovem) descer pra Candelária pra dar um rolé cultural. Enquanto isso, vovó e vovô embaixo dos cobertores!


Nossa intenção era, pelos menos, visitar o Centro Cultural Gabriel Garcia Marquez e o Museu Botero. Só que os ignorantes aqui entraram num centro cultural imenso, superbonito, crentes que estavam no Centro Cultural Gabriel Garcia Marquez (Só hoje descobri que estávamos no lugar errado, um quarteirão antes do real. Enfim...). Só não ficamos "chupando o dedo" porque onde fomos havia uma homenagem bem bacana ao escritor num grande mural na parede externa. Vontade enorme de estar em Macondo!



O verdadeiro Centro Cultural, que infelizmente não pudemos entrar porque estávamos apressadíssimos!

De lá entramos no Museu Botero, que fica num casarão lindo! (como quase tudo por aqui).


Foi muito bacana ver a reação do Pedro observando a exposição, querendo saber por que tudo na obra dele é “gordo”. Foi dele também a iniciativa de perguntar que datas eram aquelas que estavam ao lado das pinturas, e só assim descobrimos que Botero ainda vive. #ignorantes2 

 


E ele teve a preocupação de fotografar a obra que se chama Pedrito. Achei tão bonitinho...





Depois do circuito cultural, seguimos perambulando pelas calles da Candelária descobrindo recantos lindos. Um deles foi uma padaria, escondida atrás de uma portinha estreita mas que nos “puxou” pra dentro dela só pelo cheiro do croissant quentinho. E assim voltamos pro hotel, levando nosso saco de pão e sem coragem pra mais nada.  

Paradinha básica numa "bodega" pra comprar bombons. 


Essa é a rua do nosso hotel, que fica no alto de uma ladeira imensa. Pra quem anda por ela, voltando da parte baixa, o nome passa a fazer todo o sentido... #hajafôlego

*O bom de termos entrado no Centro Cultural errado foi encontrar essa exposição de instrumentos musicais. Super interessante!

  



Ainda hoje mando post novo, contando como foi nosso último dia em Bogotá. Fomos a uma exposição de artesanatos típicos da Colômbia que nos deixou alucinados com tanta coisa linda e o pior... LISOS! Já, já eu conto!

Besos, meu povo!









sábado, 6 de dezembro de 2014

Catedral de Sal. Simplesmente surpreendente!


As ideias que fazíamos sobre a Catedral de Sal era bem diversas. Eu já tinha visto umas fotos na internet, mas jamais imaginei as proporções reais. Minha mãe tinha imaginado uma igrejinha branca, meio simbólica. A Gabi imaginou logo uma igreja, como as que temos visitado (mais uma!), e até chegou a cogitar a possibilidade de ficar no hotel (ainda bem que desistiu).

A surpresa pra todos foi grande e podem ter certeza, nenhuma foto vai chegar perto da realidade. É incrível.

Fomos acompanhados por uma guia, a Maritza, uma colombiana de riso fácil e muito orgulhosa do país onde nasceu. Fala com entusiasmo do que se pode fazer aqui. No caminho até Zipaquirá, município onde fica a catedral, foi nos contando sobre a larga produção de leite (de onde é feito o "arequipe" (doce de leite) mais gostoso que já provei; da produção de rosas, de caule grosso e botões grandes, que fazem do país o segundo maior exportador de rosas do mundo, só perdendo pra Holanda, e tal. E foi ela quem lançou a pergunta mais que intrigante: "Vocês conseguem imaginar por que existe uma mina de sal aqui, no meio das montanhas, se estamos a muitos e muitos quilômetros da costa?? Estranho, né?


Mas nem é tão ilógico assim. São resquícios da Era Mezozóica, quando tudo aqui era um grande mar. A água se foi, o sal ficou, encrustrado da montanha. O uso que fizeram dele é que é o mais impressionante (além da exploração natural, claro.).


Já na descida da van fui abordada por um repórter que, pelo naipe, deve ser do CQC daqui. Terninho preto, doido, doido. Falou um monte de coisas e eu não entendi nada, fiquei com cara de pastel e já posso imaginar como ficará minha imagem na TV colombiana. Acho que vou virar meme!



Depois dos meus 10 segundos de fama (#sqn), entramos na mina. Já na entrada, um corredor com iluminação especial que dá boas vindas aos visitantes que passam por aqui (cerca de 40 mil por mês), formando bandeiras de várias nacionalidades. Uma coisa linda!



Ainda no corredor de entrada já dá pra ver o sal "brotando" nas paredes, branco feito neve.


E adivinhem quem foi comprovar se aquilo era sal mesmo colocando a língua na parede? Sim, ele, o destemido (até que não se fale em alucinações envolvendo uma indiana e um anão), o desbravador, o incansável Pedro.

Só checando se era sal mesmo...
Seguindo o percurso, começam as estações da via-sacra, esculpidas nas rochas. E aqui não imaginem imagens delicadas, feições ou coisa parecida. É tudo bem simbólico, mas não menos emocionante. A cruz representa Jesus e seu calvário. A altura dela, se está em alto ou baixo relevo, o tipo de iluminação, tudo tem um significado (e aqui a guia foi fundamental pra nos explicar cada detalhe!). Em algumas estações a música de fundo deixa o clima mais especial.




















No começo a gente já se encanta, mas o melhor ainda está por vir. São salões enormes, com iluminação perfeita, que nos fazem sentir miúdos diante de tanta grandeza. E mais uma vez não dá pra não se emocionar.

Acho que foi um dos lugares mais diferentes que já conheci na minha vida.

Valeu demais!!!

No próximo post eu conto como foi a volta da mina de sal, e o resto do nosso dia em Bogotá!


Indígenas que iniciaram a exploração do sal há centenas de dezenas de anos