Parece que estamos literalmente no céu. Neste momento, olho para a janela de vidro e me sinto dentro de uma nuvem. A névoa tomou conta de Alto Paraíso, e o friozinho tá uma delícia! Mas agora, deixa eu contar como foi o nosso dia:
Tínhamos duas opções para sair de Luis Eduardo Magalhães em direção á Goiás. Uma era pela BR-020, indo até perto de Brasília. A outra, pela BR-242, passava pelo Tocantins e era aparentemente mais curta. O que escolhemos? O caminho mais curto, claro. Fizemos um roteiro no nosso mapa do Guia 4 rodas, checamos no Google Maps, e estava aparentemente tudo ok. O GPS também indicava que deveríamos pegar essa estrada. Fomos. Pra nossa surpresa, a tal BR-242 é de terra! Isso mesmo! Acaba o asfalto e começa aquela trilha sem fim de areia vermelha. Simples assim. A gente nem acreditou. Fiquei tão passada que nem tive a iniciativa de tirar uma foto pra mostrar aqui. Era o fim! Acabamos pegando uma terceira rota, que também ia pelo Tocantins, só que dando uma volta maior. Como Deus escreve certo por linhas tortas, tivemos surpresas incríveis!
Por exemplo, descobrimos um Nordeste verde e produtivo, com plantações de soja, de milho, de algodão a perder de vista, literalmente.
Logo que atravessamos a divisa com o Tocantins, o cenário mudou completamente. A vasta planície deu lugar a vales e montanhas impressionantes. E eu que nunca tinha imaginado o que tinha no Tocantins...
Chegamos a pensar que estávamos perdidos, porque as placas de sinalização são raríssimas nesse trecho. Foi a primeira vez que o nosso GPS realmente nos salvou. (só um detalhe: já não agüentávamos mais a matraca da “Ana Maria” – voz feminina do aparelho- dando pitaco o tempo inteiro nas nossas direções. Cheguei inclusive a mudar para a voz masculina, o “Fábio”, que aparentemente é mais contido nas indicações. kkkkk) Pois bem, diante da incerteza se estávamos indo pro lado certo, eis que o GPS indicou tudo certinho.
Seguimos o nosso caminho em direção à Taguatinga, no Tocantins. E mais uma vez, as linhas tortas de Deus... Paramos num posto de gasolina pra abastecer. O carro estava com o tanque acima da metade, mas eu pedi ao Xuxu para completar, porque não sabíamos o que viria pela frente. Aí eu, que nem sou de muita conversa, comentei com o frentista que iríamos conhecer Bonito, no Mato Grosso do Sul. E olha o que ele disse: "Bonito? Bonito é aqui! Você já conheceu o rio dos Azuis?" Fiquei curiosa pela indicação. Pegamos os detalhes e fomos bater lá, 23km depois. Vejam o que encontramos:
Lindo, né? Essa aí é a nascente do Azuis, que curiosamente é o menor rio do Brasil. Tem 147 metros de extensão e fica no município de Aurora do Tocantins. Gente, a água é cristalina! Vou confessar que assim que a gente chegou, achou o lugar meio com cara de "farofal", misturado, como a gente diz aí. Mas quando vimos a cor da água, não resistimos. E quer saber? Foi maravilhoso! Viramos farofa também e aproveitamos. Lição do dia: felicidade não é artigo de luxo e existe pra todos. Se tivéssemos sido preconceituosos, teríamos perdido uma excelente oportunidade de conhecer um lugar maravilhoso, e ver como a natureza é magnífica.
Saímos banhados e felizes...Na estrada, nossa próxima divisa seria com Goiás. O percurso é acompanhado pela beleza da Serra Geral, um enorme chapadão que não cansamos de olhar. Passamos por cidades pequeninas como Campos Belos e Monte Alegre, onde vimos o jeito curioso que ele usam para secar a carne.
Estávamos chegando à Chapada dos Veadeiros. Fomos recebidos com chuva forte. Talvez para chegar com a alma lavada em Alto Paraíso, reduto esotérico do Brasil.
Aliás, é aqui em Alto Paraíso que passa o Paralelo 14º, sabiam? Não sabem o que é isso? Então deixa eu explicar: o parelelo 14 é a linha imaginária (assim como a linha do Equador) que cruza a cidade de Alto Paraíso. É a mesma que passa na também mística Machu Pichu, no Peru(Maranfon, lembramos de você e seus chacras!). Isso renderia altas energias por aqui. Por via das dúvidas, eu e o Xuxu achamos melhor garantir...
s
No som do carro tocava "Leve, como leve pluma muito leve, leve, pousa", do Secos de Molhados. Mais apropriado não tinha, né?
Foi nessa felicidade que chegamos aqui, e vamos ficar hospedados nesse castelo, olha aí, pra viver novos dias de Reis, princesas e príncipe. Porque tenho certeza que a gente merece!
Querem saber o resto dessa história? Continuem viajando com a gente! Amanhã veremos muitos outros espetáculos da natureza. Um beijo enorme em cada um de vocês.
Aqui começa o registro de uma grande aventura familiar. Por terra, vamos desbravar caminhos, conhecer relevos, vegetações, sotaques diferentes. Vamos descobrir o nosso Brasil que não está nos livros. No trajeto nos encantaremos com as paisagens e nos depararemos com situações difíceis. Será um exercício coletivo de resistência, tolerância, solidariedade, amor ao próximo, enfim, tudo o que deve servir de base pra o que se espera de uma família. Tudo vai ficar registrado aqui. Viaje com a gente!
quarta-feira, 29 de dezembro de 2010
Depois de uma noite de reis, princesas e príncipe...
Foi exatamente assim que nos sentimos nessa parada em Luis Eduardo Magalhães. O hotel é bem bacana. Nem parece coisa de cidade do interior. As meninas ganharam uma suíte só pra elas, pediram jantar no quarto, feito princesas. Passearam pela piscina e pela academia. Estavam se achando o máximo. O Pedro também adorou. E eu e o Xuxu, pela primeira vez desde a saída de Fortaleza, dormimos realmente bem, como reis. Nos permitimos até acordar um pouco mais tarde, às 6 da manhã.
Acabamos de tomar café. Huummm...
Agora são 7:15 e vamos pegar a estrada para Alto Paraíso de Goiás. São mais ou menos 5 horas de viagem, passando pelos Tocantins.
De lá daremos novas notícias.
Acabamos de tomar café. Huummm...
Agora são 7:15 e vamos pegar a estrada para Alto Paraíso de Goiás. São mais ou menos 5 horas de viagem, passando pelos Tocantins.
De lá daremos novas notícias.
terça-feira, 28 de dezembro de 2010
Cruzamos nossa segunda divisa!
Enfim deixamos Cristino Castro. Confesso que não teremos boas lembranças daqui. O hotel foi ruim, o jantar foi ruim, as piscinas térmicas eram a maior furada (tinham cheiro de xixi). Valeu a experiência, mas acho que por aqui a gente não volta mais. (Uma dica pra quem for fazer esse caminho é andar 31km a mais e ficar em Bom Jesus. A cidade parece ter uma estrutura um pouquinho melhor).
Pegamos a estrada às seis da manhã. Nosso terceiro dia de viagem, e todo mundo meio bodado pela noite mal dormida. Talvez isso tenha refletido no mal comportamento do pessoal da “classe econômica” (a turma do banco de trás). Pedro, quando não estava dormindo, se ocupava em encher o saco da Maria Clara, que por sua vez, se trocou com ele como se também tivesse 6 anos. A arenga duraria os mais de 500 quilômetros que tínhamos pela frente...
Por volta das 10 da manhã cruzamos a nossa segunda divisa. Deixamos pra trás o Piauí, e entramos na Bahia, pela cidade de Formosa do Rio Preto.
Aos poucos fomos vendo as mudanças no relevo e na vegetação. A cor do solo, do verde, iam ficando diferentes. Mais adiante, as enormes rochas recobertas de vegetação já tinham dado lugar a imensos pastos verdes.
Almoçamos, imaginem só, no Shopping de Barreiras. É... cidade pequena mas evoluída! (na verdade, o shopping só tinha umas 3 lojas funcionando, e na praça de alimentação, apenas um restaurante e uma lanchonete. Mas shopping é shopping, né?)
Seguimos viagem em direção à próxima cidade, Luis Eduardo Magalhães, onde tínhamos planejado fazer o pernoite. Eram menos de 100 quilômetros de distância, e ainda era cedo. Resolvemos então fazer um pequeno desvio no percurso para conhecer a região. Pegamos uma estradinha de terra, uma pontezinha de madeira...
...e nos deparamos com esse rio de águas límpidas e transparentes. Difícil resistir...
Sim, eu e a Bia entramos de roupa e tudo. Quando é que eu ia ter essa oportunidade de novo? Melhor garantir! Agora, dá pra imaginar que esse riozinho inofensivo se transformaria nisso aqui?
Acho que é a cachoeira mais linda que já vi na minha vida. Chama-se “Cachoeira do Acaba Vidas”. Não sei o motivo de ter recebido um título tão tenebroso, mas na verdade, pra mim, ela foi quase um “Começa Vida”, porque me senti completamente renovada e ainda mais crente em Deus. Aliás, é impossível ver esse cenário e não acreditar que ele existe.
Valeu, valeu, valeu! Estamos apenas no terceiro dia de viagem, e já tenho muitas coisas boas pra contar. O bom de viagens como essa que estamos fazendo é poder parar, conhecer o que não está nos roteiros, se permitir ter tempo para conhecer tanta coisa linda que esse nosso Brasil tem e a gente não sabe.
Chegamos em Luis Eduardo Magalhães às 4 da tarde. A cidade tem uma boa infra porque abriga mais de 50 grandes empresas agrícolas. Estamos hospedados no melhor hotel da cidade, com direito a elevador panorâmico e tudo! Vamos tirar o atraso da noite anterior, dormir, se Deus quiser, maravilhosamente bem, para amanhã chegar ao nosso primeiro destino: Alto Paraíso de Goiás. É lá que ficaremos até o dia 2 de janeiro, antes de seguirmos para Bonito.
Queremos deixar um beijo muito grande pra todas as pessoas que estão nos mandando comentários no blog. Mãe, não recebi o seu! Cris, é claro que eu lembrei de vc em Picos, mas a “bola da vez”, desculpe, era a Marcinha (kkkk)! Jaime Neto, Ian, Adri Sabóya, Marquinho, Maranfon, Quequel, Milena, Celininha, Carol, enfim, todo mundo que a gente adora e com quem a gente faz questão de compartilhar os momentos felizes. Nossos olhos agora são de vocês também!
Pegamos a estrada às seis da manhã. Nosso terceiro dia de viagem, e todo mundo meio bodado pela noite mal dormida. Talvez isso tenha refletido no mal comportamento do pessoal da “classe econômica” (a turma do banco de trás). Pedro, quando não estava dormindo, se ocupava em encher o saco da Maria Clara, que por sua vez, se trocou com ele como se também tivesse 6 anos. A arenga duraria os mais de 500 quilômetros que tínhamos pela frente...
Por volta das 10 da manhã cruzamos a nossa segunda divisa. Deixamos pra trás o Piauí, e entramos na Bahia, pela cidade de Formosa do Rio Preto.
Aos poucos fomos vendo as mudanças no relevo e na vegetação. A cor do solo, do verde, iam ficando diferentes. Mais adiante, as enormes rochas recobertas de vegetação já tinham dado lugar a imensos pastos verdes.
Almoçamos, imaginem só, no Shopping de Barreiras. É... cidade pequena mas evoluída! (na verdade, o shopping só tinha umas 3 lojas funcionando, e na praça de alimentação, apenas um restaurante e uma lanchonete. Mas shopping é shopping, né?)
Seguimos viagem em direção à próxima cidade, Luis Eduardo Magalhães, onde tínhamos planejado fazer o pernoite. Eram menos de 100 quilômetros de distância, e ainda era cedo. Resolvemos então fazer um pequeno desvio no percurso para conhecer a região. Pegamos uma estradinha de terra, uma pontezinha de madeira...
...e nos deparamos com esse rio de águas límpidas e transparentes. Difícil resistir...
Sim, eu e a Bia entramos de roupa e tudo. Quando é que eu ia ter essa oportunidade de novo? Melhor garantir! Agora, dá pra imaginar que esse riozinho inofensivo se transformaria nisso aqui?
Acho que é a cachoeira mais linda que já vi na minha vida. Chama-se “Cachoeira do Acaba Vidas”. Não sei o motivo de ter recebido um título tão tenebroso, mas na verdade, pra mim, ela foi quase um “Começa Vida”, porque me senti completamente renovada e ainda mais crente em Deus. Aliás, é impossível ver esse cenário e não acreditar que ele existe.
Valeu, valeu, valeu! Estamos apenas no terceiro dia de viagem, e já tenho muitas coisas boas pra contar. O bom de viagens como essa que estamos fazendo é poder parar, conhecer o que não está nos roteiros, se permitir ter tempo para conhecer tanta coisa linda que esse nosso Brasil tem e a gente não sabe.
Chegamos em Luis Eduardo Magalhães às 4 da tarde. A cidade tem uma boa infra porque abriga mais de 50 grandes empresas agrícolas. Estamos hospedados no melhor hotel da cidade, com direito a elevador panorâmico e tudo! Vamos tirar o atraso da noite anterior, dormir, se Deus quiser, maravilhosamente bem, para amanhã chegar ao nosso primeiro destino: Alto Paraíso de Goiás. É lá que ficaremos até o dia 2 de janeiro, antes de seguirmos para Bonito.
Queremos deixar um beijo muito grande pra todas as pessoas que estão nos mandando comentários no blog. Mãe, não recebi o seu! Cris, é claro que eu lembrei de vc em Picos, mas a “bola da vez”, desculpe, era a Marcinha (kkkk)! Jaime Neto, Ian, Adri Sabóya, Marquinho, Maranfon, Quequel, Milena, Celininha, Carol, enfim, todo mundo que a gente adora e com quem a gente faz questão de compartilhar os momentos felizes. Nossos olhos agora são de vocês também!
Conhecem Cristino Castro?
Esse é o nome da cidade onde encostamos pra descansar nesse segundo dia de viagem. Fica no Piauí, a uns 600Km de Teresina. Cidade pequenininha, no Vale do Gurguéia, que tem como principais atrativos as fontes de água morna, espalhadas por todo lado.
Nos dois maiores hotéis da cidade, as piscinas térmicas são a sensação, mas fora isso, a infra-estrutura é bem precária. Este post, por exemplo, está sendo publicado com 1 dia de atraso porque não tivemos como acessar a internet. Nem o sinal da Oi pegava direito (novidade, hein?). O pernoite por aqui foi por pura falta de opção.
O nosso dia começou cedinho, às 5 da manhã.
Nossa meta era conhecer a cidade de São Raimundo Nonato, famosa por guardar vários sítios arqueológicos. A dica para visitar esse lugar foi do Fábio, pai da Maria Clara, que já esteve lá e disse que era muito interessante. Por coincidência, São Raimundo estava bem na nossa rota em direção à Alto Paraíso de Goiás, aonde vamos passar o ano novo.
No caminho, uma grata surpresa. Descobrimos um pedacinho do Brasil-colônia, que resiste bem no interior do Piauí. A cidade de Oeiras é linda! Guarda um casario antigo, do século 18. O Xuxu já pensou logo numa locação para um filme...
A matriz de Nossa Senhora das Vitórias, a padroeira daqui, foi construída em 1733 e é uma verdadeira relíquia. Pra quem conhece, dá perfeitamente pra comparar com algumas cidades históricas de Minas.
Entramos, fizemos nossas orações e eu, particularmente, agradeci a Deus pela oportunidade de estar ali. Pedro também fez suas preces. Tenho certeza que a Mamãe do Céu não vai resistir e vai atender a esse pedido....
Devidamente abençoados, seguimos nossa viagem. Mal sabíamos que pela frente encontraríamos uma estrada nessas condições...
Foram praticamente 80 quilômetros de buraqueira, enfrentados com muita paciência. O percurso planejado para ser feito em 4 horas e meia, levou mais de 6! (trilha sonora para este momento: Tati Quebra-Barraco). Na cidade de Simplício Mendes, descobri uma super estátua do Sagrado Coração de Jesus. E claro que fiz um registro fotográfico pra minha mãe. Essa é pra você, dona Marília!
Dali em diante, tudo valeu à pena. À nossa espera estava o Parque Nacional da Serra da Capivara, um encanto para os sentidos. (trilha sonora para este momento: Pro dia Nascer Feliz, do Barão Vermelho).
Era quase uma e meia da tarde quando finalmente chegamos a São Raimundo Nonato. O atraso na estrada não nos permitiu conhecer as trilhas indicadas no Guia 4 Rodas, cotadas como um passeio imperdível. Nos contentamos em conhecer o Museu do Homem Americano que, por sinal, nos deixou muito bem impressionados. Ali estão guardados pedaços de ossos, de pedras, projeções que recontam a história dos primeiros homens que viveram nas Américas.
Após essa imersão na pré-história, era hora de voltar pra estrada. Até aquela hora só havíamos percorrido 350km, muito pouco diante do longo caminho que ainda temos pela frente. Estudamos o mapa, reavaliamos percursos, nos informamos sobre hospedagem e decidimos seguir para Cristino Castro, 311km adiante. Para não perdermos tempo, almoçamos sanduíches e voltamos pra nossa vida estradeira.
Enfim, chegamos no ponto final do dia! Era mesmo hora de parar. O sol já tinha se posto e nos nossos compromissos de viagem nos prometemos não pegar estrada à noite. Além do mais, tava difícil encarar o tédio nesse trecho do percurso.
Considerações a fazer:
O Xuxu está de parabéns pela serenidade com que tem encarado a estrada. Isso nos dá a tranqüilidade de uma viagem sem sustos.
As rodovias estaduais do Piauí são péssimas! É inacreditável o descaso. Serviu pra eu dar muito valor às estradas do Ceará que, justiça seja feita, estão ótimas.
Descobrimos um Piauí bem diferente do que costumamos imaginar. Normalmente o estado é menosprezado pela pobreza, pela seca, pelo calor. Mas o que pude mostrar para os meus filhos foi o lado exuberante do relevo da Serra da Capivara, a riqueza arqueológica dessa região, as curiosas fontes térmicas que trazem água morninha para a superfície. Além da cordialidade de pessoas sempre dispostas a ajudar.
As “aborrecentes” ainda não se acostumaram com as condições dos banheiros de beira de estrada (de fato, terríveis, mas em alguns momentos, inevitáveis). Acho eu que elas pensavam que iam encontrar o banheiro do Via Sul em todas as paradas...
Nos dois maiores hotéis da cidade, as piscinas térmicas são a sensação, mas fora isso, a infra-estrutura é bem precária. Este post, por exemplo, está sendo publicado com 1 dia de atraso porque não tivemos como acessar a internet. Nem o sinal da Oi pegava direito (novidade, hein?). O pernoite por aqui foi por pura falta de opção.
O nosso dia começou cedinho, às 5 da manhã.
Nossa meta era conhecer a cidade de São Raimundo Nonato, famosa por guardar vários sítios arqueológicos. A dica para visitar esse lugar foi do Fábio, pai da Maria Clara, que já esteve lá e disse que era muito interessante. Por coincidência, São Raimundo estava bem na nossa rota em direção à Alto Paraíso de Goiás, aonde vamos passar o ano novo.
No caminho, uma grata surpresa. Descobrimos um pedacinho do Brasil-colônia, que resiste bem no interior do Piauí. A cidade de Oeiras é linda! Guarda um casario antigo, do século 18. O Xuxu já pensou logo numa locação para um filme...
A matriz de Nossa Senhora das Vitórias, a padroeira daqui, foi construída em 1733 e é uma verdadeira relíquia. Pra quem conhece, dá perfeitamente pra comparar com algumas cidades históricas de Minas.
Entramos, fizemos nossas orações e eu, particularmente, agradeci a Deus pela oportunidade de estar ali. Pedro também fez suas preces. Tenho certeza que a Mamãe do Céu não vai resistir e vai atender a esse pedido....
Devidamente abençoados, seguimos nossa viagem. Mal sabíamos que pela frente encontraríamos uma estrada nessas condições...
Foram praticamente 80 quilômetros de buraqueira, enfrentados com muita paciência. O percurso planejado para ser feito em 4 horas e meia, levou mais de 6! (trilha sonora para este momento: Tati Quebra-Barraco). Na cidade de Simplício Mendes, descobri uma super estátua do Sagrado Coração de Jesus. E claro que fiz um registro fotográfico pra minha mãe. Essa é pra você, dona Marília!
Dali em diante, tudo valeu à pena. À nossa espera estava o Parque Nacional da Serra da Capivara, um encanto para os sentidos. (trilha sonora para este momento: Pro dia Nascer Feliz, do Barão Vermelho).
Era quase uma e meia da tarde quando finalmente chegamos a São Raimundo Nonato. O atraso na estrada não nos permitiu conhecer as trilhas indicadas no Guia 4 Rodas, cotadas como um passeio imperdível. Nos contentamos em conhecer o Museu do Homem Americano que, por sinal, nos deixou muito bem impressionados. Ali estão guardados pedaços de ossos, de pedras, projeções que recontam a história dos primeiros homens que viveram nas Américas.
Após essa imersão na pré-história, era hora de voltar pra estrada. Até aquela hora só havíamos percorrido 350km, muito pouco diante do longo caminho que ainda temos pela frente. Estudamos o mapa, reavaliamos percursos, nos informamos sobre hospedagem e decidimos seguir para Cristino Castro, 311km adiante. Para não perdermos tempo, almoçamos sanduíches e voltamos pra nossa vida estradeira.
Enfim, chegamos no ponto final do dia! Era mesmo hora de parar. O sol já tinha se posto e nos nossos compromissos de viagem nos prometemos não pegar estrada à noite. Além do mais, tava difícil encarar o tédio nesse trecho do percurso.
Considerações a fazer:
O Xuxu está de parabéns pela serenidade com que tem encarado a estrada. Isso nos dá a tranqüilidade de uma viagem sem sustos.
As rodovias estaduais do Piauí são péssimas! É inacreditável o descaso. Serviu pra eu dar muito valor às estradas do Ceará que, justiça seja feita, estão ótimas.
Descobrimos um Piauí bem diferente do que costumamos imaginar. Normalmente o estado é menosprezado pela pobreza, pela seca, pelo calor. Mas o que pude mostrar para os meus filhos foi o lado exuberante do relevo da Serra da Capivara, a riqueza arqueológica dessa região, as curiosas fontes térmicas que trazem água morninha para a superfície. Além da cordialidade de pessoas sempre dispostas a ajudar.
As “aborrecentes” ainda não se acostumaram com as condições dos banheiros de beira de estrada (de fato, terríveis, mas em alguns momentos, inevitáveis). Acho eu que elas pensavam que iam encontrar o banheiro do Via Sul em todas as paradas...
domingo, 26 de dezembro de 2010
Reencontrando amigos
As boas amizades a gente nunca esquece. E estando aqui em Picos, eu não poderia deixar de lembrar de uma amiga nascida aqui, que fez parte da minha adolescência, e por quem eu guardava muito carinho, a Marcinha. A gente foi por um tempo, unha e carne. Morando em Fortaleza, longe dos pais, a Marcinha foi meio que "adotada" pela minha família. Pequenininha, magrinha, agoniada como todo, mas um amor de pessoa. As circustâncias da vida nos separaram. Ela foi fazer faculdade de Odontologia em Recife, eu, Medicina em Campina Grande, e os encontros ficaram cada vez mais distantes. Mas aquela amizade ficou ali, em estado de latência no meu coração.
Quando eu disse pra minha mãe que estava aqui em Picos, ela logo perguntou: "por que você não procura a Marcinha?" A princípio eu achei que era absurdo, já que eu não tinha a menor referência sobre o que tinha acontecido na vida dela. Mas fiquei matutando... e vi na cabeceira da cama do hotel uma lista telefônica. Bem, eu pensei, será que eu acho o nome da Marcinha aqui???
Achei! Márcia Gleide Moura Rocha. Esse nome voltou na minha memória, como se eu estivesse ouvindo a chamada do colégio Christus, em 1989. Foi como se eu entrasse num túnel do tempo. O catálogo era de 2008, então havia ainda a possibilidade dela não estar mais naquele número. Mas nem titubeei. Liguei e quem atendeu foi a mãe dela. Foi bom demais!!! Em minutos a Marcinha tava no nosso hotel pra me dar um abraço.
Esse fofinho da foto é o Luigi, filhinho dela, de 6 meses. De quebra ainda reencontrei a Isabel, contemporânea de adolescência.
A noite foi maravilhosa. Muitas lembranças, muita conversa boa na melhor pizzaria de Picos. Reencontrei ainda a Rosana, irmã da Marcinha, que eu também não via há quase 20 anos.
Lição do fim do dia: a viagem já valeu à pena. Além de "descobrir o Brasil" com meu filhos, eu pude mostrar a eles o valor de uma amizade verdadeira. E o melhor: "redescobri" uma doce fase da minha vida. Valeu, Marcinha!
Quando eu disse pra minha mãe que estava aqui em Picos, ela logo perguntou: "por que você não procura a Marcinha?" A princípio eu achei que era absurdo, já que eu não tinha a menor referência sobre o que tinha acontecido na vida dela. Mas fiquei matutando... e vi na cabeceira da cama do hotel uma lista telefônica. Bem, eu pensei, será que eu acho o nome da Marcinha aqui???
Achei! Márcia Gleide Moura Rocha. Esse nome voltou na minha memória, como se eu estivesse ouvindo a chamada do colégio Christus, em 1989. Foi como se eu entrasse num túnel do tempo. O catálogo era de 2008, então havia ainda a possibilidade dela não estar mais naquele número. Mas nem titubeei. Liguei e quem atendeu foi a mãe dela. Foi bom demais!!! Em minutos a Marcinha tava no nosso hotel pra me dar um abraço.
Esse fofinho da foto é o Luigi, filhinho dela, de 6 meses. De quebra ainda reencontrei a Isabel, contemporânea de adolescência.
A noite foi maravilhosa. Muitas lembranças, muita conversa boa na melhor pizzaria de Picos. Reencontrei ainda a Rosana, irmã da Marcinha, que eu também não via há quase 20 anos.
Lição do fim do dia: a viagem já valeu à pena. Além de "descobrir o Brasil" com meu filhos, eu pude mostrar a eles o valor de uma amizade verdadeira. E o melhor: "redescobri" uma doce fase da minha vida. Valeu, Marcinha!
Enfim, na estrada!
Parecia que não ia dar certo. Apesar de estarmos programados pra sair neste dia 26, muita coisa ficou pra última hora. Acabamos indo dormir quase à uma hora da manhã, com despertador programado pra nos acordar às 5h! E assim foi. Mas aí começaram os contratempos: o Pedro parecia estar febril, a Maria Clara acordou se queixando da garganta, as cachorras tiveram uma dor de barriga e sujaram a casa toda... Vixe! Não dava pra sair assim. Enquanto o Xuxu cuidava das cachorras e colocava as coisas no carro, corri na emergência com os meninos. Graças à Deus não era nada. Pedro estava zerado, e Maria Clara tinha apenas uma crise alérgica. OK. Agora, sim, podíamos viajar tranquilos. Mas antes ainda tínhamos que conferir se tava tudo trancado direitinho, se as tomadas estavam desligadas, se tinha água e comida pras cachorras, colocar o lixo pra fora, etc. Quando conseguimos sair pra buscar a Bia em casa já eram 7:30h. E então, para de novo pra calibrar os pneus, entra na farmácia pra comprar o antialérgico da Maria...Enfim, 8:13h estávamos na Pontes Vieira em direção à Bezerra de Menezes para pegar a BR 0-20. Só deu tempo chegar na Reitoria para o Pedro perguntar: "mãe, ainda tá faltando muito?"
São 3.500Km pela frente. A nossa viagem de "Descobrimento do Brasil" está só começando. E nem precisamos nos distanciar muito de Fortaleza pra começar a perceber realidades muito diversas da que vivemos. À beira da estrada, entre Caucaia e Maranguape, famílias inteiras se colocavam de braços estendidos pedindo esmolas aos motoristas. Velhos, adultos, jovens, crianças. Grupos grandes, pedidos isolados. No sol escaldante esperavam pela solidariedade alheia, que parece só aflorar nesse período de natal. Uma cena muito marcante.
Seguimos em frente. Caridade, Canindé (onde encontramos os banheiros mais imundos que se pode imaginar), Boa Viagem, Tauá (onde paramos para almoçar), Parambu... e cruzamos nossa primeira divisa! Chegamos ao Piauí!!!
A estrada está ótima, toda novinha. Em alguns trechos está tão nova que nem a sinalização foi pintada ainda. Se a viagem fosse à noite, seria problema. Mas no horário em que fomos, foi tranquilo demais. Chegamos em Picos às 3 e meia da tarde, e resolvemos parar por aqui mesmo. A noite anterior de sono foi curta, e nada melhor que um bom descanso antes de encarar o restante do percurso. Amanhã acordaremos cedinho e seguiremos viagem renovados. Nosso destino é a cidade de São Raimundo Nonato. Lá, a grande atração é o Museu do Homem Americano, onde existem várias pinturas rupestres e outros achados arqueológicos. Acho que pra os meninos vai ser muito interessante.
Pequenos transtornos
Viajar com criança requer alguns cuidados. Um deles, é com os enjôôs. O Pedro, por exemplo, parecia estar super bem, mas quando paramos para o almoço, depois de 4 horas na estrada, veio o mal estar. A cabeça rodou, o estômago embrulhou e ele vomitou o pouco que tinha comido pelo caminho. Ainda bem que na bagagem não esquecemos o remedinho pra essas situações. Tomou e ficou novo em folha!
Outro pequeno probleminha: Gelo! Nossa, como é difícil encontrar gelo pra vender na estrada. E como estamos com um cooler no carro, levando sucos, frutas, iogurtes, refrigerantes, o gelo é essencial para conservar tudo fresquinho. Ainda bem que encontrei o dono de uma mercearia muito generoso, que não tiha o saco de gelo pra vender, mas me disponibilizou o que ele tinha na geladeira e salvou nossas coisas.
No mais, tá tudo correndo bem demais. Obrigada, Senhor!
E pra quem a gente quer bem vai um beijo grande, junto com a imensa alegria em poder compartilhar esse momento.
Amamos vocês!
São 3.500Km pela frente. A nossa viagem de "Descobrimento do Brasil" está só começando. E nem precisamos nos distanciar muito de Fortaleza pra começar a perceber realidades muito diversas da que vivemos. À beira da estrada, entre Caucaia e Maranguape, famílias inteiras se colocavam de braços estendidos pedindo esmolas aos motoristas. Velhos, adultos, jovens, crianças. Grupos grandes, pedidos isolados. No sol escaldante esperavam pela solidariedade alheia, que parece só aflorar nesse período de natal. Uma cena muito marcante.
Seguimos em frente. Caridade, Canindé (onde encontramos os banheiros mais imundos que se pode imaginar), Boa Viagem, Tauá (onde paramos para almoçar), Parambu... e cruzamos nossa primeira divisa! Chegamos ao Piauí!!!
A estrada está ótima, toda novinha. Em alguns trechos está tão nova que nem a sinalização foi pintada ainda. Se a viagem fosse à noite, seria problema. Mas no horário em que fomos, foi tranquilo demais. Chegamos em Picos às 3 e meia da tarde, e resolvemos parar por aqui mesmo. A noite anterior de sono foi curta, e nada melhor que um bom descanso antes de encarar o restante do percurso. Amanhã acordaremos cedinho e seguiremos viagem renovados. Nosso destino é a cidade de São Raimundo Nonato. Lá, a grande atração é o Museu do Homem Americano, onde existem várias pinturas rupestres e outros achados arqueológicos. Acho que pra os meninos vai ser muito interessante.
Pequenos transtornos
Viajar com criança requer alguns cuidados. Um deles, é com os enjôôs. O Pedro, por exemplo, parecia estar super bem, mas quando paramos para o almoço, depois de 4 horas na estrada, veio o mal estar. A cabeça rodou, o estômago embrulhou e ele vomitou o pouco que tinha comido pelo caminho. Ainda bem que na bagagem não esquecemos o remedinho pra essas situações. Tomou e ficou novo em folha!
Outro pequeno probleminha: Gelo! Nossa, como é difícil encontrar gelo pra vender na estrada. E como estamos com um cooler no carro, levando sucos, frutas, iogurtes, refrigerantes, o gelo é essencial para conservar tudo fresquinho. Ainda bem que encontrei o dono de uma mercearia muito generoso, que não tiha o saco de gelo pra vender, mas me disponibilizou o que ele tinha na geladeira e salvou nossas coisas.
No mais, tá tudo correndo bem demais. Obrigada, Senhor!
E pra quem a gente quer bem vai um beijo grande, junto com a imensa alegria em poder compartilhar esse momento.
Amamos vocês!
Assinar:
Postagens (Atom)