sábado, 8 de janeiro de 2011

Bonito que cansa....

Esta é nossa última noite aqui em Bonito. Depois da programação do dia, fomos "ao centro", comprar uns souvenirs básicos. Voltamos aqui para o hotel fazenda mais de 9 da noite, e com uma constatação: à medida que os dias foram passando, os 12km que separam o hotel da cidade parecem cada vez mais longos. E por isso, aqui fica uma dica: ficar em hotéis desse estilo só vale à pena se você está disposto a permanecer de fato ali durante sua estadia em um lugar. Caso contrário, a distância se torna incoveniente e cansativa. Você fica meio refém do hotel, porque depois que chega, não tem mais coragem de sair, e então, come no restaurante do hotel (que é mais caro e tem menos opções), usa mais os serviços do hotel... E só vivendo essa experiência pudemos ver isso como um problema.

Nossa programação por aqui foi intensa. Conhecemos as grutas do Lago Azul e de São Miguel. A gruta do Lago Azul é talvez um dos atrativos mais vendidos de Bonito.


Mas quem vê no cartão postal não imagina o trabalho que dá chegar até ela. A trilha é extremamente acidentada, escorregadia e cansativa.


Pra piorar a situação, em períodos de alta estação, como agora, o fluxo de pessoas é muito grande, e embora o número de visitantes seja limitado, ainda assim existe uma pressão para que não se perca muito tempo com cada grupo. O seja, gastamos muito tempo fazendo o caminho e praticamente não temos oportunidade de parar para contemplar a beleza daquele lugar. “Precisamos sair porque existe outro grupo descendo”, dizem os guias. É claro que isso não invalida o programa, mas pra quem pensa em vir por aqui, aconselho, de coração, a não vir em alta temporada. No mais, a gruta do Lago Azul é linda mesmo!


Ah, e outra dica: o horário da visita também influi muito na qualidade do passeio. Quanto mais cedo da manhã, melhor pra visualizar o lago, por causa da incidência da luz do sol.


Bastidores: Bia se cansou na metade do caminho, e resolveu sentar e esperar o retorno do grupo. Pedro foi desobediente demais, o que tornou o trajeto mais estressante. Maria Clara, mais uma vez, fez sucesso com o guia, que a conduziu pela mão durante boa parte da trilha... Ê, Fábio, abre do olho com essa tua filha!

Conhecemos também a Gruta de São Miguel. Emendar as duas visitas foi sugestão da agência de turismo, já que as duas grutas ficam muito próximas. Mas eu, particularmente, não aconselho, porque o passeio se torna cansativo demais.
Para chegar à gruta de São Miguel precisa-se percorrer uma trilha de mais ou menos 300 metros. Parte dela é feita em pontes suspensas, na mesma altura da copa das árvores. É muito bonito e diferente.


Ao contrário da primeira, aqui não há água. Mas as formações rochosas feitas ao longo de 650 milhões de anos (é isso mesmo!) são impressionantes. Valeu pra nós e para os meninos.


Nosso dia não terminaria ali, apesar de estarmos muito cansados. Depois de muita insistência das meninas e do Pedro, voltamos ao hotel onde tem o bóia-cross (prefiro acreditar que elas queriam realmente fazer o passeio, e não, rever os guias...). E mais uma vez eles puderam viver essa aventura, que não estava prevista no nosso pacote, e com certeza, vai pesar mais no orçamento (mas é boa a sensação de poder proporcionar isso a eles. Acho que quem tem filhos entende...).


De quebra, ganhei mais uma amiga, a Cássia, de São Paulo, que está aqui com o marido e as filhinhas. Batemos um ótimo papo, viramos melhores amigas e até já trocamos e-mail pra nos visitarmos quando formos uma à cidade da outra.

Já estávamos encantados com tudo o que tínhamos visto aqui em Bonito. Mal sabíamos o que ainda tínhamos pela frente. A flutuação no Rio da Prata é algo muito parecido com estar no céu (sendo que dentro d'água). Foi um dos dias em que mais próximo me senti do poder de Deus. Acho que nem as fotos vão conseguir traduzir o que vimos.


O passeio completo dura, em média, 3 horas e meia, entre trilhas e flutuação. Mas a gente nem sente o tempo passar. Assim como no aquário natural, fomos equipados com roupas especiais, máscaras e calçados próprios para enfrentar a água gelada do rio. O Pedro nos surpreendeu. Segurou muito bem a onda durante todo o percurso, e ficou encantando com as dezenas de cardumes que cruzaram conosco na maior naturalidade.


A Bia também superou o medo dos peixes e aproveitou a flutuação. Na verdade, todos nós tivemos muito o que aprender nessa "viagem" pelo rio da Prata.


Saímos do passeio entusiasmados com tanta beleza. E cansados! Mesmo assim ainda tivemos pique pra dar uma chegadinha ao Buraco das Araras, um ninho natural dessas aves, no meio do cerrado. A princípio relutamos em fazer esse programa, que custa 25 reais por pessoa. Eu insisti, porque adoro araras, e valeu muito à pena. O lugar é lindo!


Esse grande buraco foi formado há milhões de anos, depois de uma super erosão no solo.
No local, chamado agora Dolina, as aves fizeram seus ninhos, escavando pequenas tocas na rocha.


Todos os dias, no comecinho da manhã e no final da tarde, revoadas de araras encantam os visitantes. É um lindo espetáculo da natureza.


Tivemos a oportunidade também de conhecer a Estância Mimosa. Fica a uns 40km de Bonito (na verdade, praticamente todos os passeios aqui são distantes, e ficam em municípios vizinhos de Bonito). A estância é linda, organizada e muito acolhedora. Até os jacarés que descansam à beira do lago são amistosos.


A grande atração da Mimosa é uma sequência de 7 cachoeiras, que percorremos através de uma trilha pela mata. O banho é maravilhoso.


Tão bom, mas tão bom mesmo, que encoraja quem a gente menos espera. Olhem aí!


São seis metros de altura, enfrentados com bravura mais de uma vez pela Bia e pela Maria Clara.


O Pedro chorou pra ir também, mas dessa vez a gente não deixou. Tomara que ele não guarde essa mágoa por muito tempo... Em compensação, ele curtiu muitas aventuras em outras cachoeiras.


Foi um dia maravilhoso, que coroou nossa temporada por aqui. Valeu, Bonito! Ah, e valeu, Batata, nosso guia que tornou nosso passeio mais seguro e divertido.


Amanhã daremos tchau ao pessoal daqui e vamos para um destino que não estava previsto na nossa trilha inicial. Sabem pra onde é? Claro que eu não vou contar agora! Continuem nos seguindo nessa maravilhosa aventura.
Bjos saudosos!

Conexão falha...

É... eu bem que tenho tentado manter o blog o mais atualizado possível, mas tá difícil. As conexões por aqui são muito demoradas, principalmente para postar fotos. Lamento muito. Queria demais dividir com vcs tudo de bom que temos vivido, e dar algumas dicas pra quem ficar com vontade de vir aqui também. Continuarei tentando.
No mais, estejam certos de que estamos muito felizes, mas também muito saudosos da nossa terrinha, da nossa família e dos nosso amigos.
Mãe, PARABÉNS EM CAIXA ALTA pelo seu aniversário. Sinta-se abraçada e beijada por todos nós.
Até o próximo post!

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Bonito, não. É lindo!

Tão lindo e tão bom que nos deixa cansados demais...
Nossa primeira programação oficial aqui em Bonito foi um passeio de Bóia-Cross. Imaginem a “correnteza encantada” do Beach Park, só que natural, dentro do rio Formoso. Para fazer o bóia-cross precisamos usar coletes e capacetes e seguimos sentados em uma grande bóia redonda. No percurso de descida pelo rio, com duração de 40 minutos, passamos por 4 pequenas cachoeiras, que nos rendem uma mistura gostosa de adrenalina com ótimas risadas. A água é gelada, mas a brincadeira nos faz esquecer o frio. O Pedro amou a aventura. As meninas amaram os guias, Lê e Edson, que foram realmente sensacionais. Simpáticos, engraçados, muito jeitosos, e ainda encheram a bola delas! Era o que as adolescentes precisavam pra ganhar o dia. Ótimo passeio pra se fazer em família. Recomendo!


Depois do almoço tínhamos uma nova aventura: trilha e flutuação no Aquário Natural. Foi muito instigante para todos nós. Primeiro porque tivemos que vestir uma roupa de mergulhador, daquelas de neoprene, o que nos deixou parecidos com focas!


Depois fizemos um rápido treinamento em uma piscina para aprendermos a usar o snorkel (um desafio principalmente para o Pedro). Hora de seguir para o rio. E foi a primeira vez que vimos aquele cenário clássico de todos os cartões postais de Bonito.


É realmente indescritível. E novamente eu digo: é impossível não acreditar em Deus vendo essa natureza. Foi uma experiência realmente mágica. O Pedro ficou tão encantado que não conseguia parar de falar mesmo debaixo d’água (e por isso engoliu água demais!).


A flutuação dura 45 minutos, até chegarmos em outro ponto do rio. A volta é por uma trilha por dentro da mata, onde podemos observar alguns animais típicos da região (como jacarés e capivaras!) e ver árvores nativas do cerrado.


Foi tudo lindo, mas acabamos o passeio moídos! Todo mundo morto! Quer dizer, felizes até a exaustão!! (detalhe: o cansaço era tanto, que fizemos um acordo _só entre nós_ de não tomarmos banho quando chegássemos ao Hotel Fazenda. Fomos dormir cedo, imundos, mas muito felizes...)

Sim, estamos vivos!

Imagino que vocês tenham estranhado a falta de notícias. Mas a internet aqui no hotel onde estamos tá ruim demais! Resultado, ficamos dois dias totalmente sem conexão. Não sei se vou conseguir atualizar tudo que temos para contar, mas podem ter certeza que, à medida que for possível, vou voltar a registrar tudinho da nossa vida estradeira aqui.
Um beijo em todos os nossos companheiros de viagem virtuais.
E cruzem os dedos pra que eu consiga postar pelo menos uma das milhares de fotos lindas que temos aqui de Bonito.
Amamos vcs!

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

9 dias depois...chegamos ao nosso destino

Primeira providência do dia: dar uma geral no carro. Afinal, já são mais de 4.500km percorridos, muita estrada de terra, muito asfalto. Hora de checar se tava tudo no lugar.


Revisão feita, pegamos a estrada. O grande dia havia chegado. Bonito estava a 350km de nós. Deixamos Campo Grande às 10:30 da manhã. O nosso GPS foi fantástico para nos orientar na saída da cidade. Pudemos ainda ver como a capital sul-matogrossense é bonita, organizada, com largas avenidas. Os meninos acharam muito engraçado o sotaque das pessoas daqui, bem carregado nos "R"s.
A estrada para a região de Bonito é bem pavimentada e bem sinalizada. Aliás, por aqui não temos tido problema com orientação.
As grandes fazendas de gado estão por todos os lados, e a movimentação de caminhões transportando animais é intensa na estrada.
Ainda bem que, apesar de estarmos há 9 dias on the road, continuamos nos encantando com o que vemos.


E o nosso sonho ia ficando cada vez mais perto...


Às duas e meia da tarde, festa no carro! Estávamos em BONITO!!!


A cidade é pequenininha, mas bem organizada. Uma rua principal reúne todos os atrativos do comércio: lojas de biquinis, agências de turismo, souvenirs, restaurantes e lanchonetes, bancos, enfim, é bem dizer a "Brodway" de Canoa, muuuiiiito melhorada.


Depois de pegar os vauchers dos passeios que faremos a partir de amanhã na agência (aqui, todos os passeios precisam ser agendados e marcados através de uma agência. Existe um limite de pessoas por dia. Os preços são tabelados), fomos dar um passeio na cidade. Maria Clara, que adora um telefone, encontrou alguns bem peculiares:


Peculiares também são as opções dos cardápios por aqui.


Viram aí, salmão do Pantanal! É mole??
O Xuxu, claro, fez questão de experimentar um sorvete da região:


Depois da degustação básica, hora de ir procurar nosso hotel. Estamos hospedados em uma fazenda, a 12km da cidade, sem sinal de celular, bem dentro da mata, às margens do Rio Formoso. O Xuxu até já deu um mergulho.


Jantamos um filé de Pintado, que segundo o Pedro, foi a melhor comida! E é por aqui que vamos passar os próximos 5 dias. Desfrutando da tranquilidade e do contato com a natureza que a gente tanto adora.
Amanhã tem muito mais!

Bonitos em Bonito

Chegamos. A placa do nosso carro chamou a atenção por aqui. Somos a sensação!
Estamos no Hotel Fazenda Cachoeira, e temos ótimas novidades! Vou selecionar e baixar as fotos de hoje e em breve compartilharei mais esse capítulo da nossa aventura com vcs.
bjos em todos!

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Uma estrada muito curiosa...


Não, nós não fomos para o Rio de Janeiro. Esse Cristo aí fica na cidade de Rio Verde, em Goiás, onde pernoitamos ontem. Parece que isso aqui é comum. É a segunda cidade onde vemos monumentos assim (teriam os goianos vontade de ser cariocas? Não tive tempo pra apurar essa suspeita).

Acordamos tarde, desanimados pela chuva... O café foi quase às dez da manhã. Foi quando tivemos uma boa notícia na previsão do tempo exibida no jornal: estava chovendo em vários estados, mas em Bonito tava fazendo sol! Fizemos um Êhhh bem alto!


Pela frente tínhamos 600km até Campo Grande. Mapa conferido, GPS conferido, google maps conferido. Não tinha errada. Seguimos, e aos poucos a previsão do tempo também se confirmava. Bem de mansinho o céu foi nos lembrando sua cor original. Ô felicidade! Hora de tirar o mofo!


E seguimos felizes nosso caminho até... descobrir que tínhamos essa estrada aí pela frente.


Seriam 50km assim. E já que não tinha jeito, o melhor era aproveitar. No percurso (feito em duas longas horas) nos impressionamos com as intermináveis plantações de soja, que ladearam a estrada durante todo o trajeto. E fomos surpreendidos por umas aves bem curiosas e arredias: alguém sabe dizer o nome dela?


Também cruzamos com muitas emas, que charlavam no meio da plantação como se fosse super normal (parece que por aqui é mesmo!)


Os atolamentos no caminho também viraram atração. E os meninos viram como vida de caminhoneiro é realmente difícil!


Em vários momentos tivemos que usar a tração do carro, caso contrário ficaríamos como eles... Por isso, quando vimos o asfalto novamente, fizemos uma salva de palmas. Estávamos cruzando a divisa entre Goiás e Mato Grosso do Sul.


E começaram a surgir umas placas bem inusitadas...


Infelizmente cruzamos também com muitos animais mortos pelo caminho.


Apesar do dia difícil, as meninas e o Pedro estavam extremamente bem humorados (acho que efeito do sol, que resolveu aparecer). E fizemos de tudo no caminho um motivo de festa.


Pra comemorar nossa felicidade, um brinde com Cotuba! Não conhecem??


Pudemos verificar a mudança na paisagem. As enormes plantações deram lugar a imensos pastos, com muuuiiitas cabeças de gado. E os meninos aprenderam que a pecuária é o forte do estado. Mas impressionados mesmo eles ficaram em ver como aqui anoitece tarde. Às 18:35h, vejam só como ainda estava o céu:


Acreditou agora, Lalá?
Enfim, chegamos a Campo Grande às 7 e 20 da noite (e continuava dia!). A cidade é grande, com avenidas largas. Mas depois de chegar ao hotel, é difícil ter coragem de sair pra dar uma volta melhor. Amanhã vamos acordar cedo pra dar uma geral no carro antes de seguir, finalmente, pra Bonito.
Vem com a gente?