segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Preparando a volta...

Estamos em Miranda, município de MS. Repouso mais que justo para nos recompormos e podermos pegar a estrada de volta pra casa tranquilos amanhã de manhã. Em virtude da chuvarada no Sudeste, vamos optar por voltar mais ou menos pelo mesmo caminho por onde viemos.
Estou aguardando a câmera recarregar pra poder postar as fotos da nossa pescaria de piranha, hoje à tarde, e contar mais novidades sobre nossa temporada breve no Pantanal.
Aguardem!

Entre o céu e inferno

O calor aqui beira o insuportável. Quase não venta. As muriçocas já não se importam mais com os repelentes. Vocês devem estar imaginando o inferno que é... Pra compensar, a paisagem é linda, as aves têm formas e cores indescritíveis. E quem vem aqui precisa estar com o corpo e a alma preparados para isso e, assim, se sentir no céu.


Hoje pela manhã fizemos o que eles chamam de "Safari fotográfico", no mesmo caminhão onde fizemos a focagem noturna. Mas, com a luz do sol, é como se fosse um passeio completamente diferente. Vimos revoadas de marrecos, numa quantidade impressionante. Percorremos enormes arrozais, onde muitos animais se alimentam.


Vimos ainda pegadas de onça parda. Só as pegadas, porque vê-las mesmo seria muita sorte... Já as capivaras, emas e tuiuiús se tornaram comuns demais (kkkkk). Os jacarés, então, são quase como galinhas por aqui!


Hoje também vimos muitos cervos. Os guias preferem chamá-los sempre assim, "cervos". Segundo eles, não existe "veado" pantaneiro...


O passeio dura em média 2 horas. Na volta, fomos recepcionados com um típico almoço pantaneiro. E o Pedro confessou que "adora" essa comida.


Estamos nos preparando para um passeio em uma chalana, uma embarcação aqui da região. Os guias prometem que vamos alimentar jacarés e gaviões, pescar piranhas e conhecer outras espécies do Pantanal. O Xuxu abriu mão por causa do calor e dos mosquitos. Irei sozinha com as adolescentes e o Pedrão. Desejem-me sorte!
Após o passeio deixaremos a Fazenda San Francisco e vamos pernoitar em Miranda, município a 25km daqui. Amanhã seguiremos de volta pra casa. Pelo menos mais 3.500km de estrada e, quem sabe, novas aventuras...
À noite, se no hotel tiver internet, conto as novidades da Chalana.
Até!

Mais de 1000 visualizações!

Amigos, estou feliz demais! Acabo de ver que em 15 dias de viagem, relatados aqui no nosso blog, já recebemos 1.044 visitas! Estamos nos sentindo prestigiados com tantas companhias, e certos de que a nossa experiência vai encorajar muita gente a também conhecer tudo de lindo que o nosso país tem.
Com certeza tem sido uma jornada cansativa mas muito, muito compensadora.
E a partir de agora eu serei uma grande incentivadora do "turismo nacional". As cores da nossa fauna, a riqueza da nossa flora são instigantes. Infelizmente acho que os gringos dão mais valor a isso tudo do que nós mesmos. Tá certo que não é barato rodar por aqui (na volta farei o balanço financeiro do que gastamos com combustível, hospedagem, alimentação e passeios _até porque se fizer agora eu acho que a gente entra em depressão...), mas é muito válido. Ainda não nos arrependemos de nada.
E cada vez que paro para atualizar o blog, revivemos momentos bacanas do nosso dia, rimos, sentimos novo prazer. Acho que os registros feitos aqui serão uma ótima lembrança para daqui a uns anos. Saber que vocês estão dividindo isso com a gente também é um incentivo muito grande para continuar.
Obrigada pela companhia, pela torcida, pelas mensagens carinhosas, pelas dicas. A viagem tem sido muito melhor assim.
bjos em todos!

domingo, 9 de janeiro de 2011

Entre capivaras e jacarés

Sim, é verdade, estamos no Pantanal Sul. Resolvemos vir até aqui depois de constatar que estávamos muito perto. E já que tínhamos rodado mais de 5 mil quilômetros até Bonito, por que não andar mais 175km pra chegar até aqui, não é mesmo?
Estamos hospedados na fazenda San Francisco, uma estância de ecoturismo muito recomendada por aqui. Agora há pouco fizemos um passeio que se chama "focagem noturna". O intuito é observar alguns animais que vivem aqui na região. Seguimos em um caminhão aberto, com um guia, que leva uma grande lanterna e lança o "foco" de luz onde estão os animais. Daí o nome "focagem". Na verdade, é bem complicado ver os bichos. Muitos se escondem quando escutam o barulho do carro. Em várias situações o guia dizia: "ali, atrás daquela moita (bem distante) está um Cervo do Pantanal", ou: "Acabou de entrar ali uma jaguatirica". "Aquele que mergulhou ali era um jacaré do Pantanal". Entre ele indicar e a gente conseguir realmente ver o animal, havia uma diferença muito grande. Mesmo assim, foi bem divertido.


Mais cedo, logo que chegamos, já nos deparamos com cenas lindas. Pudemos conhecer o tuiuiú:


E ficar bem próximos de muitos outros animais...


Se para mim e para o Xuxu tem sido emocionante, imagino que para o Pedro, a Maria Clara e a Bia esta também será uma vivência inesquecível.


Amanhã temos mais dois passeios programados: um safári fotográfico e uma pescaria em uma chalana. Neste momento chove muito, com relâmpagos e trovões. Tomara que a madrugada de chuva não estrague a programação.

Algumas observações:
Pensem num lugar quente, muito quente. Inclua muitas, muitas muriçocas. Sinta-se então no Pantanal, nesta época do ano. O calor nem de perto parece o de Fortaleza. É muito pior, abafado. As muriçocas nos acompanham em nuvens, mesmo de dia. Ainda bem que trouxemos uma dose extra de repelente pra minimizar os efeitos das danadas...

O sistema aqui é de "pensão completa". O jantar preparado para os hóspedes foi muito legal. Típica comida de fazenda, com fogão à lenha, panelas de ferro, e no cardápio uma especialidade daqui que é uma delicia: sopa paraguaia. Apesar do nome, a "sopa" é sólida, tem a consistência de uma torta salgada. É feita com fubá, queijo fresco, cebola, manteiga e ovos. Minha mãe até já tinha aprendido a receita com uma amiga daqui alguns anos atrás, mas confesso que a original é bem mais gostosa (desculpe aí, hein, mãe...). Para sonorizar o ambiente, a música de um cantor que eu adoro: Almir Sater (o Zé Trovão, lembram?).

Deixamos Bonito debaixo de muita chuva, e por isso fizemos poucos registros fotográficos do hotel fazenda onde ficamos hospedados. Mas traremos ótimas lembranças do ambiente aconchegante e bem cuidado, do Alê, que nos atendeu com muito carinho no restaurante de lá, e também da cachorrinha que apelidamos de "Baleia". Moradora da fazenda, ela encheu nossos dias de alegria e adotou nosso quarto como cantinho seguro e feliz.

Um lugar mágico...

Uma viagem de 175km. Chuva, muita chuva pelo caminho. E, de repente, um lindo portal se abriu. Fomos recepcionados por uma capivara fofinha e logo adiante, por um enorme tuiuiú. Uma revoada de araras Canindé pousou na nossa porta. Os meninos brincaram com quatis como se fossem gatinhos.
Imaginam onde estamos?
Ainda não vou contar. Seguiremos agora (às 8 e 15 da noite), para uma focagem. O passeio termina às 11h. Tentarei postar as novidades assim que voltar.
Esperem só pra ver!

sábado, 8 de janeiro de 2011

Bonito que cansa....

Esta é nossa última noite aqui em Bonito. Depois da programação do dia, fomos "ao centro", comprar uns souvenirs básicos. Voltamos aqui para o hotel fazenda mais de 9 da noite, e com uma constatação: à medida que os dias foram passando, os 12km que separam o hotel da cidade parecem cada vez mais longos. E por isso, aqui fica uma dica: ficar em hotéis desse estilo só vale à pena se você está disposto a permanecer de fato ali durante sua estadia em um lugar. Caso contrário, a distância se torna incoveniente e cansativa. Você fica meio refém do hotel, porque depois que chega, não tem mais coragem de sair, e então, come no restaurante do hotel (que é mais caro e tem menos opções), usa mais os serviços do hotel... E só vivendo essa experiência pudemos ver isso como um problema.

Nossa programação por aqui foi intensa. Conhecemos as grutas do Lago Azul e de São Miguel. A gruta do Lago Azul é talvez um dos atrativos mais vendidos de Bonito.


Mas quem vê no cartão postal não imagina o trabalho que dá chegar até ela. A trilha é extremamente acidentada, escorregadia e cansativa.


Pra piorar a situação, em períodos de alta estação, como agora, o fluxo de pessoas é muito grande, e embora o número de visitantes seja limitado, ainda assim existe uma pressão para que não se perca muito tempo com cada grupo. O seja, gastamos muito tempo fazendo o caminho e praticamente não temos oportunidade de parar para contemplar a beleza daquele lugar. “Precisamos sair porque existe outro grupo descendo”, dizem os guias. É claro que isso não invalida o programa, mas pra quem pensa em vir por aqui, aconselho, de coração, a não vir em alta temporada. No mais, a gruta do Lago Azul é linda mesmo!


Ah, e outra dica: o horário da visita também influi muito na qualidade do passeio. Quanto mais cedo da manhã, melhor pra visualizar o lago, por causa da incidência da luz do sol.


Bastidores: Bia se cansou na metade do caminho, e resolveu sentar e esperar o retorno do grupo. Pedro foi desobediente demais, o que tornou o trajeto mais estressante. Maria Clara, mais uma vez, fez sucesso com o guia, que a conduziu pela mão durante boa parte da trilha... Ê, Fábio, abre do olho com essa tua filha!

Conhecemos também a Gruta de São Miguel. Emendar as duas visitas foi sugestão da agência de turismo, já que as duas grutas ficam muito próximas. Mas eu, particularmente, não aconselho, porque o passeio se torna cansativo demais.
Para chegar à gruta de São Miguel precisa-se percorrer uma trilha de mais ou menos 300 metros. Parte dela é feita em pontes suspensas, na mesma altura da copa das árvores. É muito bonito e diferente.


Ao contrário da primeira, aqui não há água. Mas as formações rochosas feitas ao longo de 650 milhões de anos (é isso mesmo!) são impressionantes. Valeu pra nós e para os meninos.


Nosso dia não terminaria ali, apesar de estarmos muito cansados. Depois de muita insistência das meninas e do Pedro, voltamos ao hotel onde tem o bóia-cross (prefiro acreditar que elas queriam realmente fazer o passeio, e não, rever os guias...). E mais uma vez eles puderam viver essa aventura, que não estava prevista no nosso pacote, e com certeza, vai pesar mais no orçamento (mas é boa a sensação de poder proporcionar isso a eles. Acho que quem tem filhos entende...).


De quebra, ganhei mais uma amiga, a Cássia, de São Paulo, que está aqui com o marido e as filhinhas. Batemos um ótimo papo, viramos melhores amigas e até já trocamos e-mail pra nos visitarmos quando formos uma à cidade da outra.

Já estávamos encantados com tudo o que tínhamos visto aqui em Bonito. Mal sabíamos o que ainda tínhamos pela frente. A flutuação no Rio da Prata é algo muito parecido com estar no céu (sendo que dentro d'água). Foi um dos dias em que mais próximo me senti do poder de Deus. Acho que nem as fotos vão conseguir traduzir o que vimos.


O passeio completo dura, em média, 3 horas e meia, entre trilhas e flutuação. Mas a gente nem sente o tempo passar. Assim como no aquário natural, fomos equipados com roupas especiais, máscaras e calçados próprios para enfrentar a água gelada do rio. O Pedro nos surpreendeu. Segurou muito bem a onda durante todo o percurso, e ficou encantando com as dezenas de cardumes que cruzaram conosco na maior naturalidade.


A Bia também superou o medo dos peixes e aproveitou a flutuação. Na verdade, todos nós tivemos muito o que aprender nessa "viagem" pelo rio da Prata.


Saímos do passeio entusiasmados com tanta beleza. E cansados! Mesmo assim ainda tivemos pique pra dar uma chegadinha ao Buraco das Araras, um ninho natural dessas aves, no meio do cerrado. A princípio relutamos em fazer esse programa, que custa 25 reais por pessoa. Eu insisti, porque adoro araras, e valeu muito à pena. O lugar é lindo!


Esse grande buraco foi formado há milhões de anos, depois de uma super erosão no solo.
No local, chamado agora Dolina, as aves fizeram seus ninhos, escavando pequenas tocas na rocha.


Todos os dias, no comecinho da manhã e no final da tarde, revoadas de araras encantam os visitantes. É um lindo espetáculo da natureza.


Tivemos a oportunidade também de conhecer a Estância Mimosa. Fica a uns 40km de Bonito (na verdade, praticamente todos os passeios aqui são distantes, e ficam em municípios vizinhos de Bonito). A estância é linda, organizada e muito acolhedora. Até os jacarés que descansam à beira do lago são amistosos.


A grande atração da Mimosa é uma sequência de 7 cachoeiras, que percorremos através de uma trilha pela mata. O banho é maravilhoso.


Tão bom, mas tão bom mesmo, que encoraja quem a gente menos espera. Olhem aí!


São seis metros de altura, enfrentados com bravura mais de uma vez pela Bia e pela Maria Clara.


O Pedro chorou pra ir também, mas dessa vez a gente não deixou. Tomara que ele não guarde essa mágoa por muito tempo... Em compensação, ele curtiu muitas aventuras em outras cachoeiras.


Foi um dia maravilhoso, que coroou nossa temporada por aqui. Valeu, Bonito! Ah, e valeu, Batata, nosso guia que tornou nosso passeio mais seguro e divertido.


Amanhã daremos tchau ao pessoal daqui e vamos para um destino que não estava previsto na nossa trilha inicial. Sabem pra onde é? Claro que eu não vou contar agora! Continuem nos seguindo nessa maravilhosa aventura.
Bjos saudosos!

Conexão falha...

É... eu bem que tenho tentado manter o blog o mais atualizado possível, mas tá difícil. As conexões por aqui são muito demoradas, principalmente para postar fotos. Lamento muito. Queria demais dividir com vcs tudo de bom que temos vivido, e dar algumas dicas pra quem ficar com vontade de vir aqui também. Continuarei tentando.
No mais, estejam certos de que estamos muito felizes, mas também muito saudosos da nossa terrinha, da nossa família e dos nosso amigos.
Mãe, PARABÉNS EM CAIXA ALTA pelo seu aniversário. Sinta-se abraçada e beijada por todos nós.
Até o próximo post!