Estamos em casa, devidamente banhados, descansados, e nos preparando pra voltar pra "vida real". Hoje faz exatamente 20 dias que deixamos nossa casa, nossos amigos, nossos pais, irmãos, pra encarar essa aventura. Tudo valeu à pena. Só temos muito o que agradecer à Deus. Em 8.885 km rodados, passando por 6 estados, nenhum de nós ficou doente, não sofremos qualquer tipo de acidente na estrada (nem um pneu furado, apesar da buraqueira), não fomos enganados por onde passamos, conhecemos lugares lindos, aumentamos ainda mais a nossa união... Enfim, a proposta inicial de "Descobrimento do Brasil" nos rendeu também um bom descobrimento de nós mesmos, dos nossos limites, do tamanho da nossa tolerância, da solidariedade que existe dentro de nós, da capacidade de nos superar e principalmente da necessidade de ceder, muitas vezes, em nome do coletivo. Obrigada ao Xuxu, à Maria Clara, ao Pedro e à Bia pela companhia tão gostosa em todos os momentos. Aprendemos juntos.
Saímos de Tauá às 6h e chegamos em casa antes das 11 da manhã. Fomos recebidos com muitas lambidas das nossas "meninas".
Pedro deu uma de Papa João Paulo II e beijou o chão da casa, de tão emocionado que ficou em estar de volta.
E como é bom mesmo deixar saudade e ser recebido com festa!
Ganhamos até um super almoço feito pela vovó Lalá e matamos a saudade do gostinho bom da comida de casa.
O resto da tarde foi de descanso. Acho que dormi o sono mais profundo dos últimos dias. E agora, atualizando o blog, já sinto saudade das coisas boas que vivemos, e dos momentos prazerosos que este cantinho aqui, criado pra nos aproximar dos que ficaram, me proporcionou. Parar, todos os dias à noite, e escrever o nosso "diário" passou a ser uma rotina deliciosa, que com certeza ajudou muito e eternizar essa viagem tão marcante para nós e nossos filhos.
Agradeço pela atenção e o carinho de todos que passaram por aqui, mandando mensagens de incentivo, compartilhando da nossa alegria, vibrando com a nossa felicidade (afinal, a gente sabe que ficar feliz simplesmente pela felicidade dos outros, infelizmente, não é pra qualquer um). OBRIGADA em nome de todos os tripulantes dessa aventura!
Não encerrarei o blog. Deixarei ele aqui, quietinho, até a próxima viagem (que já tenho até em mente, mas não vou contar agora). E no momento certo, voltaremos a registrar aqui nossas emoções. Afinal, o Brasil é muito grande, e muito ainda há que se descobrir!
*Já, já publicarei nosso Top 10. E não esqueçam: queremos saber o post que vocês mais gostaram de ler. Vamos sortear uma lembrancinha do Pantanal entre os amigos que partiparem!
Aqui começa o registro de uma grande aventura familiar. Por terra, vamos desbravar caminhos, conhecer relevos, vegetações, sotaques diferentes. Vamos descobrir o nosso Brasil que não está nos livros. No trajeto nos encantaremos com as paisagens e nos depararemos com situações difíceis. Será um exercício coletivo de resistência, tolerância, solidariedade, amor ao próximo, enfim, tudo o que deve servir de base pra o que se espera de uma família. Tudo vai ficar registrado aqui. Viaje com a gente!
sábado, 15 de janeiro de 2011
sexta-feira, 14 de janeiro de 2011
Já estamos em território cearense!
Sim, menos de 400km nos separam da nossa casinha.
Eram exatamente 4:30 da tarde quando atravessamos a divisa entre Piauí e Ceará.
A reação dentro do carro foi bem parecida com o dia da chegada ao Mato Grosso do Sul. Gritos de felicidade! A sensação de estar voltando pra casa é maravilhosa, principalmente depois de várias experiências riquíssimas que vivemos nos últimos 19 dias. Optamos, no entanto, por pernoitar em Tauá. O Xuxu ainda cogitou a possibilidade de esticarmos logo até Fortaleza, mas já que fomos tão prudentes na estrada durante toda a viagem, não seria no último dia que nos arriscaríamos.
E estamos aqui, na pousada do Elias.
E olha, por aqui também já passaram outras personalidades como Zezé di Camargo e Luciano, Bruno e Marrone, Leonardo... Tudo documentado com fotos na recepção. Só estranhei por que não pediram pra tirar da gente também...(rsrsrrs)
Na verdade, a pousada é simples, mas oferece tudo o que precisamos: ar, tv, cama limpa, frigobar. E de quebra, ainda tem uma das conexões de internet mais rápidas que eu já peguei até agora! Então, tá bom demais! Ah, outro detalhe: foi o lugar onde tivemos o melhor jantar da temporada: um filé na brasa com baião de dois, preparado pelo próprio dono do hotel, o sr. Elias. De lamber os beiços!
Deixamos Cristino Castro, no Piauí às 7h, sem tomar café da manhã. O Xuxu ainda chegou a ir ao restaurante do hotel para tentar comer alguma coisa, mas voltou dizendo que o lugar parecia uma locação do filme "O Livro de Eli", ou seja, bem dizer o fim do mundo. Uma legião de famintos parecia ter passado antes por lá... Ficamos em jejum mesmo.
Tomamos uma estrada diferente da que percorremos na ida, na esperança de encontrar menos buracos. Ledo engano... Entre as cidades de Canto do Buriti e Floriano enfrentamos 70km lastimáveis, que nos custaram 1 hora e 40 minutos de muito sacolejo.
Mas o sofrimento acabou como num passe de mágica quando recebemos uma ligação da Percília (irmã do Xuxu) com uma notícia muuiiito importante: A Bia passou de ano!!!! ÊÊÊh! Nossas rezas pra Nossa Senhora Protetora dos Estudantes funcionaram! E a nossa bichinha ficou feliz demais!!!
A melhor notícia para coroar as melhores férias! E nossa vencedora conquistou até o direito de fazer o restante do percurso na "primeira classe", junto com o Xuxu.
Aproveitei essa parada no interior pra mostrar pros meninos um costume muito legal que ainda existe por aqui: o bom bate-papo de fim de tarde na calçada. Em Fortaleza não vemos mais cenas assim...
Impossível não registrar também que a "elegância" circula por aqui, de moto, em plenas 5 da tarde!
Um dia eu chego lá! Será?(kkkkk)
Bastidores:
- Dezenas de pessoas, inclusive velhos e crianças, se arriscam entre os buracos da PI-140 para ganhar umas moedas dos motoristas. Cena que eu já tinha visto aí no Ceará, mas que depois de testemunhar tanta fartura nos lugares por onde passamos (com plantações de soja e milho a perder de vista, boiadas imensas), parece contraditório demais.
- Coisas que só acontecem em Cristino Castro: o que justificaria uma cidade tão pequena, que se resume a praticamente uma avenida (a própria BR), ter 2 farmácias coladas uma na outra?
Detalhe: menos de um quarteirão depois, tem outra!
- Já andou de táxici? Em Canto do Buriti, no Piauí, tem um que funciona 24h!
- Tio Jaime Neto, por coincidência, depois de saber do "satélite espião", o Pedro saiu do quarto do hotel e encontrou esse moço aí:
E o pior: falou com ele pensando que era você! (traduza: dieta urgente!!!kkkkkkkkkkkk)
Atenção amigos viajantes!
Estamos finalizando o nosso TOP 10 da viagem. Vamos eleger o melhor hotel por onde passamos, o melhor banheiro, o melhor passeio, o melhor guia, a melhor estrada, o melhor atendimento, enfim, queremos dividir tudo com vocês! E pra finalizar o blog com chave de ouro, vamos querer também que vocês escolham o nosso melhor post. Vou até sortear um brinde entre os votantes! Não vão querer perder, né? Aguardem!
Até amanhã!
Eram exatamente 4:30 da tarde quando atravessamos a divisa entre Piauí e Ceará.
A reação dentro do carro foi bem parecida com o dia da chegada ao Mato Grosso do Sul. Gritos de felicidade! A sensação de estar voltando pra casa é maravilhosa, principalmente depois de várias experiências riquíssimas que vivemos nos últimos 19 dias. Optamos, no entanto, por pernoitar em Tauá. O Xuxu ainda cogitou a possibilidade de esticarmos logo até Fortaleza, mas já que fomos tão prudentes na estrada durante toda a viagem, não seria no último dia que nos arriscaríamos.
E estamos aqui, na pousada do Elias.
E olha, por aqui também já passaram outras personalidades como Zezé di Camargo e Luciano, Bruno e Marrone, Leonardo... Tudo documentado com fotos na recepção. Só estranhei por que não pediram pra tirar da gente também...(rsrsrrs)
Na verdade, a pousada é simples, mas oferece tudo o que precisamos: ar, tv, cama limpa, frigobar. E de quebra, ainda tem uma das conexões de internet mais rápidas que eu já peguei até agora! Então, tá bom demais! Ah, outro detalhe: foi o lugar onde tivemos o melhor jantar da temporada: um filé na brasa com baião de dois, preparado pelo próprio dono do hotel, o sr. Elias. De lamber os beiços!
Deixamos Cristino Castro, no Piauí às 7h, sem tomar café da manhã. O Xuxu ainda chegou a ir ao restaurante do hotel para tentar comer alguma coisa, mas voltou dizendo que o lugar parecia uma locação do filme "O Livro de Eli", ou seja, bem dizer o fim do mundo. Uma legião de famintos parecia ter passado antes por lá... Ficamos em jejum mesmo.
Tomamos uma estrada diferente da que percorremos na ida, na esperança de encontrar menos buracos. Ledo engano... Entre as cidades de Canto do Buriti e Floriano enfrentamos 70km lastimáveis, que nos custaram 1 hora e 40 minutos de muito sacolejo.
Mas o sofrimento acabou como num passe de mágica quando recebemos uma ligação da Percília (irmã do Xuxu) com uma notícia muuiiito importante: A Bia passou de ano!!!! ÊÊÊh! Nossas rezas pra Nossa Senhora Protetora dos Estudantes funcionaram! E a nossa bichinha ficou feliz demais!!!
A melhor notícia para coroar as melhores férias! E nossa vencedora conquistou até o direito de fazer o restante do percurso na "primeira classe", junto com o Xuxu.
Aproveitei essa parada no interior pra mostrar pros meninos um costume muito legal que ainda existe por aqui: o bom bate-papo de fim de tarde na calçada. Em Fortaleza não vemos mais cenas assim...
Impossível não registrar também que a "elegância" circula por aqui, de moto, em plenas 5 da tarde!
Um dia eu chego lá! Será?(kkkkk)
Bastidores:
- Dezenas de pessoas, inclusive velhos e crianças, se arriscam entre os buracos da PI-140 para ganhar umas moedas dos motoristas. Cena que eu já tinha visto aí no Ceará, mas que depois de testemunhar tanta fartura nos lugares por onde passamos (com plantações de soja e milho a perder de vista, boiadas imensas), parece contraditório demais.
- Coisas que só acontecem em Cristino Castro: o que justificaria uma cidade tão pequena, que se resume a praticamente uma avenida (a própria BR), ter 2 farmácias coladas uma na outra?
Detalhe: menos de um quarteirão depois, tem outra!
- Já andou de táxici? Em Canto do Buriti, no Piauí, tem um que funciona 24h!
- Tio Jaime Neto, por coincidência, depois de saber do "satélite espião", o Pedro saiu do quarto do hotel e encontrou esse moço aí:
E o pior: falou com ele pensando que era você! (traduza: dieta urgente!!!kkkkkkkkkkkk)
Atenção amigos viajantes!
Estamos finalizando o nosso TOP 10 da viagem. Vamos eleger o melhor hotel por onde passamos, o melhor banheiro, o melhor passeio, o melhor guia, a melhor estrada, o melhor atendimento, enfim, queremos dividir tudo com vocês! E pra finalizar o blog com chave de ouro, vamos querer também que vocês escolham o nosso melhor post. Vou até sortear um brinde entre os votantes! Não vão querer perder, né? Aguardem!
Até amanhã!
quinta-feira, 13 de janeiro de 2011
Nunca diga "dessa água não beberei"...
Sim, é verdade, estamos mais uma vez em Cristino Castro, no Piauí, aquela cidade que muitos posts atrás eu disse que não pretendia voltar. E agora, ainda temos que dar graças à Deus, porque desta vez conseguimos ficar num hotel melhor, onde não temos que subir vários lances de escada e a piscina não tem cheiro de xixi.
O estirão de estrada que andamos hoje foi longo. Mais de 800km de Posse, em Goiás, até aqui. Chegamos a cogitar a possibilidade de voltar por um caminho diferente, passando por Feira de Santana e Paulo Afonso, para ter novidades no percurso. Mas diante da tragédia que atinge o Brasil nesse momento por causa das chuvas, nada mais prudente que andar por onde já conhecemos, economizar 500km e chegar mais cedo em casa.
Encaramos novamente a BR-135. Vários trechos não têm acostamento e muitas placas de sinalização estão encobertas pela vegetação.
Alguns locais onde o asfalto está ruim estão sendo recuperados, e nesses pontos, acabamos perdendo mais tempo.
Ao contrário da viagem de ida, quando o Pedro nos fez redescobrir o prazer de brincar com o formato das nuvens para passar o tempo, agora o céu constantemente nublado não nos permite mais esse "lazer". O jeito foi inventar outro passatempo. E começamos um quiz, com perguntas que foram desde "qual o nome dos 7 anões?", "qual o nome do porquinho de estimação do Cascão?", "quem eram os integrantes dos Beatles?", até questões de geografia, como o nome dos estados da Região Nordeste, as lições que aprendemos sobre os animais do Pantanal, o nome de todos os hotéis por onde passamos, enfim, tudo o que vinha na cabeça. Além de nos entreter por quase 2 horas, a brincadeira nos rendeu boas risadas, brigas, gritos, e nos fez esquecer a fome até encontrarmos um lugar razoável para almoçar.
Depois do almoço, sessão cinema no banco de trás. Mais um filme do Harry Potter manteve os meninos quietos por um tempinho.
Aliás, aqui vai uma dica: usar o notebook como DVD no carro foi uma solução bem barata e que tem servido muito para a garotada. Chegamos a fazer um orçamento para instalar um aparelho de DVD veicular, mas não estávamos satisfeitos. Iríamos gastar cerca de 1.500 reais. Encontramos então um adaptador de tomada que se encaixa no acendedor de cigarros. Custou 90 reais e tem tido um resultado excelente. Sem contar que a tela do notebook é muito melhor do que seria a de um DVD pequeno, e o adaptador ainda serve pra carregar a bateria da câmera, do celular... É ótimo.
E vejam só mais uma das cenas inusitadas que encontramos na estrada:
Não é fofinho?
É, já deu pra perceber que a gente tá tendo que achar graça em tudo, né?? (rsrsrsr)
Bom, ainda temos 1.220km até a Felino Barroso. O jeito é manter o bom humor...
Bastidores
- Já não aguentamos mais a nossa própria seleção musical. No nosso porta CD convivem desde Tati Quebra Barraco, AC/DC, Secos e Molhados, Nando Reis, Eric Clapton, Ozzy Osbourne, Caetano. Já ouvimos e "reouvimos" tudo nesses quase 20 dias de viagem. Agora preferimos o silêncio.
- Nossas roupas limpas acabaram. O Pedro veste o mesmo short há 3 dias. A Bia, então, já adotou a "reciclagem" de usados faz tempo (nesse momento Maria Clara se gaba que ainda tem algumas peças. Eu chamo futilidade, ela diz que foi precaução). Eu e Xuxu também estamos numa situação difícil...
- Pedro e Maria Clara passaram a brigar cada dia mais. Agora chegam a trocar chutes... Tô tão cansada que adotei a técnica do "deixa eles se matarem". Na verdade, percebo que a falta de rotina para o Pedro tem deixado ele agitado demais. Está desobediente e implicante. Já a Maria e seus hormônios poderosos não facilitam nada... Tomara que isso não continue quando voltarmos pra casa.
_ Bia já tá morrendo de saudades da mãe e da vó. Anda dengosa... E desde ontem está tensa, à espera do resultado da recuperação, que sai nessa sexta. Passamos a rezar (todos nós, antes de dormir) para Nossa Senhora dos Estudantes interceder por ela...
Ontem
Este aí é o hotel que conseguimos ficar em Posse, ontem à noite (depois de percorrer vários outros e ver os recepcionistas nos responderem com um sorriso na cara: "Tem vaga, não, senhorrrr").
Apesar da aparência meio derrubadinha, o quarto tinha ar, frigobar, chuveiro quente, e internet Wi Fi, da qual o atendente fez a propaganda muito orgulhoso...
Uma coisa que nos chamou atenção nas estradas da Bahia, de Goiás, do Distrito Federal e do Mato Grosso do Sul foram essas placas aí:
Elas são muitas, muitas mesmo, a ponto de não passarem despercebidas. Todas pintadas, aparentemente, com a mesma letra, sempre pregadas em árvores ou postes, em distâncias mais ou menos regulares. Uma pregação forte, quase como se formasse uma trilha. A partir do Piauí não vimos mais.
Bem, por hoje é só! Já estou começando a ficar com saudade do blog... Estamos preparando um TOP 10 de tudo o que vivemos pra publicar aqui. Aguardem!
quarta-feira, 12 de janeiro de 2011
Chegamos em Posse
Posse é uma cidadezinha de Goiás, a uns 300km de Brasília. Viemos pernoitar por aqui. O que não sabíamos é que a cidade é pequena e bem concorrida. Quase não achávamos hotel pra ficar!
Depois que conseguimos, deixamos os meninos acomodados e saímos pra tomar um caldo. Tava uma delícia! Aí, eu fui puxar assunto com a Dona Mazé, a dona do estabelecimento e cozinheira dos caldos. Eu disse: "Vou levar notícias do seu caldo lá pro Ceará!" Ela olhou pra mim, e meio desconfiada soltou essa: "Vocês estão indo pro Ceará? Eu sou cearense, de Crateús". Viu aí, Cris Bonfim, os genes crateuenses estão se espalhando pelo Brasil afora... Batemos um ótimo papo com ela e o marido, seu Oliveira, também cearense.
Hoje a viagem foi menos tensa que ontem. Nos demos ao luxo de acordar um pouco mais tarde, para descansar mais, e saímos de Rio Verde às 9 da manhã. Mesmo assim, rodamos mais de 700km. Amanhã devemos fazer o contrário, acordar bem cedinho, por volta das 4:30. Por isso mesmo, o post de hoje vai ser reduzidinho. Preciso dormir mais cedo.
Amanhã atualizarei tudo, incluindo as fotos de hoje.
bjos em todos e boa noite.
Ah, tenho lido e adorado todos os comentários. Mais uma vez obrigada a quem nos acompanha e viaja com a gente!
Inté amanhã!
Depois que conseguimos, deixamos os meninos acomodados e saímos pra tomar um caldo. Tava uma delícia! Aí, eu fui puxar assunto com a Dona Mazé, a dona do estabelecimento e cozinheira dos caldos. Eu disse: "Vou levar notícias do seu caldo lá pro Ceará!" Ela olhou pra mim, e meio desconfiada soltou essa: "Vocês estão indo pro Ceará? Eu sou cearense, de Crateús". Viu aí, Cris Bonfim, os genes crateuenses estão se espalhando pelo Brasil afora... Batemos um ótimo papo com ela e o marido, seu Oliveira, também cearense.
Hoje a viagem foi menos tensa que ontem. Nos demos ao luxo de acordar um pouco mais tarde, para descansar mais, e saímos de Rio Verde às 9 da manhã. Mesmo assim, rodamos mais de 700km. Amanhã devemos fazer o contrário, acordar bem cedinho, por volta das 4:30. Por isso mesmo, o post de hoje vai ser reduzidinho. Preciso dormir mais cedo.
Amanhã atualizarei tudo, incluindo as fotos de hoje.
bjos em todos e boa noite.
Ah, tenho lido e adorado todos os comentários. Mais uma vez obrigada a quem nos acompanha e viaja com a gente!
Inté amanhã!
terça-feira, 11 de janeiro de 2011
Quase deu zebra!
Carro revisado mais uma vez. Estamos de volta à estrada, desta vez a caminho de casa.
Nosso primeiro projeto era cruzar o sudeste e subir pelo litoral. Diante de tantas notícias de enchentes, desmoronamentos, estradas interditadas, resolvemos reavaliar e decidimos voltar por um caminho muito parecido com o que viemos. Questão de segurança, economia e cansaço, também! Aliás, o cansaço está estampado até na cara dos tripulantes mais jovens...
Por isso, o grande desafio é tentar tornar a viagem de volta tão interessante quanto à de ida. Se o caminho fosse outro, isso seria mais fácil. Como não é... tentamos nos ocupar prestando atenção em outros detalhes. Vejam então as fotos abaixo. São sapatos de mãe e filha, que estavam almoçando em um posto de gasolina na beira da estrada, em Camapuã, no Mato Grosso do Sul.
Eram, ou não, uma atração e tanto?(rsrsrsr)
Depois do almoço, não sei por que, os meninos falavam que nem araras no carro. E eu, com uma dorzinha de cabeça besta... Ainda bem que resolveram assistir a um filme e se calaram por quase 2 horas.
Foi quando começou a nossa tensão. Às 3:20 da tarde, o dia se fez noite, num grande temporal. Durante 15 minutos quase intermináveis, tivemos essa paisagem na nossa frente:
O Pedro, na maior naturalidade, olhou para o lado e disse: "Que irado, tá chovendo lá fora e a gente tá vendo filme!". Simples assim.
Finalmente a chuva passou, e vimos um céu dividido, impressionante...
Pudemos voltar a nos encantar com uma estrada verde, que até nos faz relaxar...
Quando faltavam 91km para chegarmos a Rio Verde de Goiás, onde iríamos pernoitar, pegamos uma entrada errada. Até descobrir que estávamos em outro caminho, já havíamos rodado 47km. Tivemos que voltar. Ou seja, rodamos 94km em vão. Mais do que andaríamos se tivéssemos seguido na estrada certa. Mas a zebra não parava aí. O tanque de combustível do carro já tava bem pertinho da reserva. Encontramos enfim um posto e encostamos. Aí, vem o frentista e diz: "Tem diesel não, moço". E o Xuxu: "E tem algum posto aqui perto?". "Só em Rio Verrrde, senhor" (com o R bem carregado). Detalhe: Rio Verde ainda estava a 70km de nós. Não tinha jeito. Era preciso arriscar. Atrasados, com pouco combustível e numa estrada, ó...
Era buraco que não acabava mais... Uma tensão... E a Maria Clara, não sei por que, resolveu soltar a matraca numa simpatia nunca antes vista! Ela cantou em português, falou todas as frases que sabia em inglês, pediu pra Bia ensiná-la a falar japonês... Como se nada tivesse acontecendo ali fora. Aí não deu. Eu tive que soltar um "Cala a boca, Maria Clara, por favor!" O Pedro, pra implicar, abriu o falatório também. Crente que era um GPS... Ai minha cabeça!
Pela primeira vez chegamos a um destino com o céu escuro. Estressados que só!
Mas estamos aqui, inteiros, bem instalados e nos preparando para mais um dia de estrada. Ainda temos 2.700km pela frente.
Por favor, não nos abandonem nessa reta final!
Nosso primeiro projeto era cruzar o sudeste e subir pelo litoral. Diante de tantas notícias de enchentes, desmoronamentos, estradas interditadas, resolvemos reavaliar e decidimos voltar por um caminho muito parecido com o que viemos. Questão de segurança, economia e cansaço, também! Aliás, o cansaço está estampado até na cara dos tripulantes mais jovens...
Por isso, o grande desafio é tentar tornar a viagem de volta tão interessante quanto à de ida. Se o caminho fosse outro, isso seria mais fácil. Como não é... tentamos nos ocupar prestando atenção em outros detalhes. Vejam então as fotos abaixo. São sapatos de mãe e filha, que estavam almoçando em um posto de gasolina na beira da estrada, em Camapuã, no Mato Grosso do Sul.
Eram, ou não, uma atração e tanto?(rsrsrsr)
Depois do almoço, não sei por que, os meninos falavam que nem araras no carro. E eu, com uma dorzinha de cabeça besta... Ainda bem que resolveram assistir a um filme e se calaram por quase 2 horas.
Foi quando começou a nossa tensão. Às 3:20 da tarde, o dia se fez noite, num grande temporal. Durante 15 minutos quase intermináveis, tivemos essa paisagem na nossa frente:
O Pedro, na maior naturalidade, olhou para o lado e disse: "Que irado, tá chovendo lá fora e a gente tá vendo filme!". Simples assim.
Finalmente a chuva passou, e vimos um céu dividido, impressionante...
Pudemos voltar a nos encantar com uma estrada verde, que até nos faz relaxar...
Quando faltavam 91km para chegarmos a Rio Verde de Goiás, onde iríamos pernoitar, pegamos uma entrada errada. Até descobrir que estávamos em outro caminho, já havíamos rodado 47km. Tivemos que voltar. Ou seja, rodamos 94km em vão. Mais do que andaríamos se tivéssemos seguido na estrada certa. Mas a zebra não parava aí. O tanque de combustível do carro já tava bem pertinho da reserva. Encontramos enfim um posto e encostamos. Aí, vem o frentista e diz: "Tem diesel não, moço". E o Xuxu: "E tem algum posto aqui perto?". "Só em Rio Verrrde, senhor" (com o R bem carregado). Detalhe: Rio Verde ainda estava a 70km de nós. Não tinha jeito. Era preciso arriscar. Atrasados, com pouco combustível e numa estrada, ó...
Era buraco que não acabava mais... Uma tensão... E a Maria Clara, não sei por que, resolveu soltar a matraca numa simpatia nunca antes vista! Ela cantou em português, falou todas as frases que sabia em inglês, pediu pra Bia ensiná-la a falar japonês... Como se nada tivesse acontecendo ali fora. Aí não deu. Eu tive que soltar um "Cala a boca, Maria Clara, por favor!" O Pedro, pra implicar, abriu o falatório também. Crente que era um GPS... Ai minha cabeça!
Pela primeira vez chegamos a um destino com o céu escuro. Estressados que só!
Mas estamos aqui, inteiros, bem instalados e nos preparando para mais um dia de estrada. Ainda temos 2.700km pela frente.
Por favor, não nos abandonem nessa reta final!
Lições da natureza
Além de admirar tanta coisa linda no Pantanal e em Bonito, também aprendemos muito sobre o "funcionamento" da natureza. Por exemplo: você sabia que as araras são monogâmicas e depois de acasalar com um parceiro vivem o resto da vida com ele? Bárbaro, não? Aprendemos também que existem corujas de hábitos diurnos, como as Buraqueiras, chamadas assim porque cavam as tocas no chão para se abrigar.
Fomos informados que existem 4 tipos de piranhas no Brasil. 3 delas são comuns no Pantanal. As piranhas têm dentes afiadíssimos e podem morder dezenas de vezes em questão de segundos. Pequeninas, mas verdadeiras feras.
Apesar de vorazes, as piranhas são fonte de alimento para quem vive aqui. Rendem um ótimo caldo. O Xuxu provou!
As emas também são importantíssimas! Como são muito gulosas, se alimentam de praticamente tudo, inclusive escorpiões, baratas, cobras. Tê-las por perto da sede da fazenda é uma verdadeira dedetização natural.
O tuiuiú, árvore símbolo do Pantanal, é a maior ave voadora do mundo. A envergadura de suas asas pode chegar a mais de 2 metros. Podemos diferenciar um animal adulto de um jovem pelo "colar vermelho" no pescoço, que só se forma na fase adulta. O Tuca, por exemplo, morador da fazenda, ainda não tem o colar. É um menino! Outro sinal da mocidade é a penugem branca na cabeça que desaparecerá quando ele "crescer".
Os jacarés vivem por volta de 60 anos. Transpiram pela boca e ficam com ela muito tempo aberta para manter a temperatura do corpo. Adoram comer capivaras e aves indefesas que dão sopa na beira dos rios.
E os carcarás! Nada de "pega, mata e come", como diz a música. Eles são a vergonha da classe dos gaviões. Preguiçosos, não gostam de caçar e sim comer o que já tá ali, mortinho da silva.
E se você pensa que um cupinzeiro só serve pra detonar seus móveis, se engana. Eles são fundamentais para a alimentação dos tamanduás. Nos grandes pastos podemos ver aqueles montinhos de terra. São eles!
Em muitas terras, os fazendeiros mandam exterminar os cupinzeiros, porque eles destróem a braquiária, tipo de grama que alimenta o gado. Sem cupim, os tamanduás vão procurar comida em outro lugar, e muitos acabam sendo atropelados nas estradas. Nós mesmos presenciamos vários animais mortos nos acostamentos. Os tamanduás são quase cegos e praticamente não escutam. Seu maior sentido é o olfato, que não serve pra ele se defender do "bicho carro", né?
Enfim, essas são apenas algumas das informações que aprendi junto com os meninos nessa viagem. Servirão para respeitarmos mais a natureza e entendermos que tudo foi perfeitamente arquitetado por Deus e tem o seu porquê para existir. Até as muriçocas do Pantanal, que alimentam muitos sapinhos por aqui!
Fomos informados que existem 4 tipos de piranhas no Brasil. 3 delas são comuns no Pantanal. As piranhas têm dentes afiadíssimos e podem morder dezenas de vezes em questão de segundos. Pequeninas, mas verdadeiras feras.
Apesar de vorazes, as piranhas são fonte de alimento para quem vive aqui. Rendem um ótimo caldo. O Xuxu provou!
As emas também são importantíssimas! Como são muito gulosas, se alimentam de praticamente tudo, inclusive escorpiões, baratas, cobras. Tê-las por perto da sede da fazenda é uma verdadeira dedetização natural.
O tuiuiú, árvore símbolo do Pantanal, é a maior ave voadora do mundo. A envergadura de suas asas pode chegar a mais de 2 metros. Podemos diferenciar um animal adulto de um jovem pelo "colar vermelho" no pescoço, que só se forma na fase adulta. O Tuca, por exemplo, morador da fazenda, ainda não tem o colar. É um menino! Outro sinal da mocidade é a penugem branca na cabeça que desaparecerá quando ele "crescer".
Os jacarés vivem por volta de 60 anos. Transpiram pela boca e ficam com ela muito tempo aberta para manter a temperatura do corpo. Adoram comer capivaras e aves indefesas que dão sopa na beira dos rios.
E os carcarás! Nada de "pega, mata e come", como diz a música. Eles são a vergonha da classe dos gaviões. Preguiçosos, não gostam de caçar e sim comer o que já tá ali, mortinho da silva.
E se você pensa que um cupinzeiro só serve pra detonar seus móveis, se engana. Eles são fundamentais para a alimentação dos tamanduás. Nos grandes pastos podemos ver aqueles montinhos de terra. São eles!
Em muitas terras, os fazendeiros mandam exterminar os cupinzeiros, porque eles destróem a braquiária, tipo de grama que alimenta o gado. Sem cupim, os tamanduás vão procurar comida em outro lugar, e muitos acabam sendo atropelados nas estradas. Nós mesmos presenciamos vários animais mortos nos acostamentos. Os tamanduás são quase cegos e praticamente não escutam. Seu maior sentido é o olfato, que não serve pra ele se defender do "bicho carro", né?
Enfim, essas são apenas algumas das informações que aprendi junto com os meninos nessa viagem. Servirão para respeitarmos mais a natureza e entendermos que tudo foi perfeitamente arquitetado por Deus e tem o seu porquê para existir. Até as muriçocas do Pantanal, que alimentam muitos sapinhos por aqui!
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